O aumento de DSTs entre jovens brasileiros
Enviada em 02/04/2020
A série britânica “Sex Education” retrata uma escola em que há um tabu em torno do sexo, fato esse que origina a criação de uma clínica clandestina de terapia sexual pelos alunos Otis e Maeve, a fim de assistir os estudantes. Fora da ficção, os jovens são a parcela da sociedade que têm maior facilidade às informações contra Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST’s), no entanto, tais casos ainda são expressivos nessa faixa etária. Nesse cenário, há a necessidade de um projeto de educação sexual que faça parte do currículo obrigatório nas escolas, assim como a reformulação de estratégias de conscientização mais eficazes, a fim de combater a realidade de desassistência retratada na série.
Apesar de já haver nas escolas brasileiras um projeto do Ministério da Educação (MEC) que ensine sobre infecções sexuais e a importância do uso de preservativo, esse método ainda é superficial e ineficiente. Isso pode ser comprovado por dados do Ministério da Saúde que apontam, no Brasil, 40 mil novos casos de IST’s diagnosticados por ano entre os jovens, o que demonstra a necessidade de um projeto de educação sexual que, além de conscientizar, combata a banalização das formas de prevenção. Sendo assim, é perceptível que, em função dos avanços medicinais, há uma maior facilidade para o diagnóstico, como também o baixo custo do tratamento, que é oferecido pelo Sistema Único de Saúde, e isso causa a negligência no cuidado e na prevenção, principalmente entre os jovens que se encontram em fase de amadurecimento. Portanto, isso reforça que deve haver a conscientização por meio da normalização do assunto, a fim a combater o tabu, que impede o debate.
Outro fator que deve ser aperfeiçoado, além da educação sexual, é a estratégia de conscientização, que ainda é ineficiente. Nesse sentido, é fundamental debater mais sobre prevenção e cuidado com a saúde a partir dos meios de comunicação, buscando aliar informações e tecnologias que dialoguem, em especial com o público jovem. Logo, deve-se combater a deturpação das práticas sexuais nas redes sociais, espaço em que há maior contato com informações majoritariamente distorcidas e banalizadas pela falta de “filtro” e bom senso.
Nesse cenário de banalização das infecções, o Ministério da Saúde deve criar campanhas de alcance nacional, divulgadas no meio escolar, televisivo e digital, em parceria com influenciadores digitais, como “youtubers”, que transmitam a mensagem de conscientização sobre a importância do uso de preservativo em todas as relações sexuais, incentivando também o exame rotineiro para o diagnóstico, a fim de conter as IST’s ainda no início. Ademais, o MEC deve inserir o ensino obrigatório de educação sexual nas escolas, por meio da informação didática e adequada às idades, com professores capacitados que realizem, também, o debate conscientizador entre os jovens.