O aumento de DSTs entre jovens brasileiros
Enviada em 03/04/2020
Durante a década de 90, as mortes de artistas como Cazuza e Renato Russo, em decorrência da AIDS, marcaram a população e alertaram o país a respeito dos riscos da epidemia. Décadas depois, percebe-se que as Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs) não só permanecem presentes no cotidiano brasileiro como também estão aumentando significantemente entre os jovens. A partir disso, é válido entender os elementos motivadores dessa ampliação.
Inicialmente, é inegável que a banalização das ISTs é uma das principais causas da multiplicação dos casos. Isso ocorre porque os jovens da atualidade não presenciaram o contexto de alarde em que vivia a sociedade brasileira no final do século passado. Atualmente, os adolescentes são muito mais bombardeados com informações acerca dos avanços científicos para com as infecções do que sobre os perigos associados a elas, de forma que a preocupação dos jovens se torna quase nula. Prova disso são os resultados da pesquisa realizada pelo Ministério da Saúde, que mostram a preocupação maior dos jovens entrevistados como sendo a gravidez indesejada e não as doenças.
Outrossim, a desinformação se configura como a maior aliada na proliferação da doença. Tal situação acontece porque, desprovidos de meios que ofereçam informação segura, como profissionais da saúde e a escola bem equipada da educação sexual, o adolescente atual acaba por recorrer a fontes não confiáveis, como internet e os próprios amigos. Dessa forma, gera-se um ciclo sem fim de despreparo e um contingente de jovens mais suscetíveis às doenças. Isso pode ser analisado ao comparar o Brasil com a Suécia e Islândia, países que possuem uma eficaz educação sexual, cujos índices de câncer do colo do útero, condição relacionada à infecção sexualmente transmissível HPV, são quase nulos.
Dessa forma, é imperativa uma ação de combate ao aumento de ISTs entre a comunidade jovem brasileira. Para tanto, é imprescindível que o Ministério da Saúde, já que deve salvaguardar a saúde da população, associado às Secretarias de Educação, por possuírem contato maior com as escolas, devem promover campanhas de instrução adequada sobre o tema no âmbito escolar. Isso deve ser viabilizado por meio de Workshops, ministrados por profissionais da saúde, a fim de que seja ofertado uma maior profissionalização dos educadores a respeito dessa problemática e o conhecimento do qual os estudantes necessitam mais do que nunca. Assim sendo, a presente década e as seguintes serão marcadas cada vez menos pelas fatalidades que já acometeram milhares de Renatos e Cazuzas.