O aumento de DSTs entre jovens brasileiros
Enviada em 01/04/2020
Na série inglesa “Sex Education”, quando o jovem Otis, filho de uma terapeuta sexual, passa a orientar outros jovens de sua escola em relação a suas vidas sexuais, eles entendem mais seus corpos e como resolver problemas sexuais que, sem essa orientação, talvez não fosse possível. Ao sair da ficção, nota-se que essa realidade de não entender sobre sexualidade pode acarretar na disseminação de doenças. A partir desse contexto, é valido analisar como a falta de educação sexual nas escolas, bem como a carência dos serviços de saúde influenciam no aumento de DSTs entre os jovens.
De início, observa-se que a ausência da educação sexual nas instituições de ensino é um dos fatores responsáveis para o aumento de casos de doenças sexualmente transmissíveis entre jovens. Segundo pesquisa encomendada pela Editora Abril, mais da metade dos jovens brasileiros não faz uso de preservativos em relações sexuais. Isso se dá, principalmente, devido à falta de conhecimento dos jovens, uma vez que o tabu existente na sociedade impede que escolas eduquem sexualmente os estu-dantes, embora seja um dos parâmetros determinados pelo Ministério da Educação. Dessa forma, ao considerar que a educação sexual é fundamental para que o jovem entenda o funcionamento de seu corpo, bem como as formas de evitar a contração de doenças, percebe-se que a falta de conhecimento promove o aumento da incidência de doenças sexuais, pelo simples fato de não se saber manusear preservativos corretamente, por exemplo, menos ainda os femininos, que são menos comuns.
Pontua-se, ainda, que a falta de acesso aos serviços de saúde, que são essenciais para a preservação da saúde sexual, contribui, também, para o aumento do número de casos de DSTs entre os jovens brasileiros. Isso porque, embora o Artigo 196 da Constituição Federal determine que o acesso à saúde é direito de todos e dever do Estado, percebe-se que, na prática, não funciona assim. Muitas pessoas não têm acesso a profissionais que possam orientá-los sexualmente e, como consequência, por não terem instrução, acabam sendo vetores de doenças sexuais, como a AIDS.
Nota-se, portanto, que o aumento de DSTs entre os jovens do país está diretamente ligado à falta de orientação dada a eles, seja através da escola ou dos profissionais de saúde. Logo, é imprescindível que as escolas promovam discussões sobre o assunto, através de palestras e debates com presença de terapeutas sexuais, com o intuito de orientar sexualmente os estudantes e, consequentemente, di-minuir a proliferação de DSTs. Além disso, o Ministério da Saúde deve estimular a população a se con-sultar com especialistas, por meio de campanhas publicitárias, porém, evidentemente, disponibilizando esses profissionais na rede pública, a fim de que haja maior esclarecimento da população quanto a sua saúde sexual e, como resultado, haja maior cuidado e responsabilidade, por parte da sociedade.