O aumento de DSTs entre jovens brasileiros
Enviada em 03/04/2020
Em meados do século XVII, Gabriel Fallopio, anatomista italiano, já orientava os seus pacientes a utilizarem um saco de linho em torno do pênis para protegê-los contra a sífilis. Semelhante a essa época, no contexto contemporâneo brasileiro, as Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTs) entre os jovens têm crescido bastante, trazendo danos, muitas vezes irreparáveis, à saúde física e mental. Sendo assim, o uso irregular do preservativo e a perpetuação de uma cultura que trata a sexualidade como um tabu são as principais causas de tal imbróglio entre os jovens brasileiros.
Em primeira instância, apesar da maior acesso à camisinha, na contemporaneidade, como um método preservativo seguro, a maioria dos jovens se mostra indiferente quanto ao seu uso, resultando no aumento dos casos de DSTs no país. Segundo pesquisa realizada pelo Ministério da Saúde em 2017, embora 9 em cada 10 adolescentes tenham a informação que usar o preservativo é a melhor forma de prevenir o HIV, 60% desses jovens tiveram relações sexuais desprotegidas. Sendo assim, a falta de preocupação e descuido típicos da juventude sobre o estado de vulnerabilidade que se encontram contribuem para que a prevenção não seja tratada com a devida prioridade. Ainda, o uso do preservativo pelos adolescentes é visto como algo careta e a maioria parece não ter medo de contrair DSTs por acreditarem que há tratamentos específicos, o que justifica a sua baixa adesão.
Além disso, a cultura histórica que trata a sexualidade como algo velado e não permitido, ainda presente nos dias atuais, em diferentes níveis, dificulta a veiculação de informações confiáveis aos jovens brasileiros, que por medo de se exporem, buscam o “proibido” e negligenciam qualquer tipo de informação. Nesse cenário, a artista plástica americana Stephanie Sarley foi banida no Instagram, por exibir conteúdo “sexualmente sugestivo” ao divulgar um trabalho constituído de imagens de frutas sendo acariciadas suavemente pelos dedos da artista. A censura à obra de Stephanie é, portanto, uma prova de quanto o sexo e a masturbação são vistas como práticas reprimidas, principalmente para as mulheres. Destarte, o bloqueio imposto por tal cultura faz com que os jovens não compartilhem suas experiências com seus pais, professores e profissionais de saúde, muitas vezes despreparados para lidar com essa temática, e favorece o aumento de casos de DSTs entre essa parcela da população.
Sendo assim, urge que o Estado realize investimentos em políticas públicas efetivas que visem conscientizar os jovens quanto à importância do uso da camisinha e à desestigmatização de tabus sexuais, por meio de campanhas educativas nas escolas e nas redes sociais, com uma linguagem moderna, criativa e acessível à faixa etária. Conclui-se, portanto, que tais medidas serão efetivas na prevenção das DSTs e reduzirão, substancialmente, os seus casos entre os jovens brasileiros.