O aumento de DSTs entre jovens brasileiros

Enviada em 03/04/2020

Grande cantor e compositor, Cazuza foi uma das primeiras figuras públicas brasileiras a assumir ser portador do HIV. No passado e ainda hoje, o ato de assumir uma DST é considerado uma polêmica, pelo fato de falar sobre o corpo ser considerado um tabu. Por isso, apesar de as infecções terem seus meios preventivos facilitados em relação à época, o número de infectados ainda sobe, principalmente entre os jovens. Nesse sentido, percebe-se que esse aumento se deve, em sua maioria, ao receio de comentar sobre o assunto devido a esse tabu, o que leva à falta de eficácia das campanhas estatais.

Em uma primeira observação, é necessário dizer que, o tabu sobre o corpo ajuda a disseminar as DSTs. No que concerne à cultura histórica brasileira, o corpo da mulher, por exemplo, precisava ser coberto até os pés, e o simples ato de mostrar os joelhos já era considerado erótico, o que conclui que assuntos sobre o corpo, principalmente o feminino, eram evitados. Análogo à isso, apesar de atualmente existir maior liberdade, o receio de falar sobre o corpo persiste - e abrange até sobre o ato sexual. Desse modo, muitas pessoas evitam comentar sobre o próprio corpo com medo de se expor, o que os deixa mais vulneráveis às DSTs, segundo psicóloga Kay Vieira.

É preciso mostrar, também, que, pela falta de menção às infeções ser natural entre os brasileiros, isso se reflete no Estado, cujas campanhas não se tornam muito eficazes. Segundo o especialista Antônio Egypto, para as campanhas estatais terem mais eficiência, essas precisam ser aliadas a um projeto educativo. Por isso, a falta de educação sexual nas escolas é um fator que reverbera no aumento das infecções entre os adolescentes e precisa ser implementada para combater essa questão.

Portanto, é fundamental diminuir os casos de DSTs entre os adolescentes no Brasil. Para isso, é necessário que o Ministério da Educação adicione à Base Nacional Comum Curricular aulas de educação sexual nas escolas. Durante as aulas, com a orientação de um profissional no assunto, necessitarão de ocorrer dinâmicas próprias para as respectivas idades, para levar informação aos jovens e que eles abandonem as ignorâncias históricas do brasileiro. A partir disso, será possível que a população deixe o tabu das DSTs e que casos como o de Cazuza não sejam discriminados nem ocultados.