O aumento de DSTs entre jovens brasileiros
Enviada em 30/03/2020
Na obra “Sexo: A hora é agora?”, a autora Fernanda Wendell retrata como o acesso à informações sobre sexualidade pode tornar a iniciação à vida sexual dos adolescentes mais segura. Quase vinte anos depois, o aumento nos índices de jovens brasileiros que contraem Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTs), demonstra que o debate abordado pela autora é extremamente pertinente e atual. Nesse sentido, verifica-se que o crescimento de tal problemática está atrelado à desinformação e “cultura da banalização” dessas enfermidades.
A princípio, observa-se que a falta de informação acerca dessas infecções é reflexo da maneira ultrapassada com a qual as escolas abordam o tema. Quanto a isso, a Lei de Diretrizes e Bases - conjunto de normas que norteiam a educação nacional - afirma que é dever dos centros educacionais adaptar as ferramentas de ensino às necessidades dos educandos. No caso da juventude hodierna, percebe-se que a educação sexual praticada nos moldes vigentes não funciona, uma vez que o perfil e aprendizagem dos jovens foram modificados em razão das novas tecnologias. Dessa forma, valendo-se de aulas nas quais o objetivo é assimilar características das doenças, o aluno torna-se capaz de reproduzir tal conhecimento, mas não de aplicá-lo em seu cotidiano. Tal realidade é observada em dados do Ministério da Saúde, segundo os quais seis em cada dez adolescentes praticam sexo sem prevenção, apesar de alegarem saber como se prevenir.
Em segunda análise, é importante considerar que a “cultura da banalização” dessas patologias contribui para o aumento das infecções sexualmente transmissíveis. Sob a ótica do médico Drauzio Varella, a camisinha é o método mais eficiente para evitar patologias dessa natureza. No entanto, pautados na crença de que todos os tipos de DSTs podem ser curadas, muitos adolescentes dispensam o uso de preservativos. Um exemplo disso é que mais de 20% dos jovens acreditam que já existe cura para a Aids e mais de 40% sequer utiliza preservativos, segundo dados do Ministério da Saúde. Dessa forma, um indivíduo assintomático, que não utiliza preservativos como a camisinha, pode contaminar outras pessoas.
Percebe-se, portanto, que o aumento de DSTs entre os jovens é uma problemática latente. Assim, cabe às escolas aprimorar o ensino de educação sexual. Isso pode ser realizado por meio da adesão à aplicativos como o “Descoberto”, que fornece orientações e soluciona dúvidas dos usuários sobre o tema, além de debates sobre livros e documentários com depoimentos de pessoas que foram infectadas. Além disso, secretarias municipais devem promover campanhas nas mídias sociais sobre a importância do uso dos preservativos, mediante parcerias com instituições privadas.