O aumento de DSTs entre jovens brasileiros
Enviada em 29/03/2020
Em torno do século XVII, Gabriele Falloppio, anatomista italiano, orientava seus pacientes a utilizar um saco de linho envolto ao pênis durante a relação sexual, como forma de prevenção contra à sífilis. Esse modo de profilaxia foi aperfeiçoado ao longo dos anos, indo do linho ao látex das camisinhas, tornando-se mais eficiente, prático e acessível. Contudo, mesmo com essa desenvoltura tecnológica, atualmente houve uma reemergência e aumento de casos de sífilis e outras ISTs entre os jovens brasileiros. Nesse contexto, é questionável a eficiência da educação sexual nessa faixa etária, culminando na banalização tanto do uso do preservativo, como das consequências que essa atitude acarreta.
Primeiramente, vale ressaltar que à educação sexual ainda é considerada um tema pejorativo no Brasil. Resultando na falta de acesso à informações adequadas aos jovens que, por sua vez, optam por busca-las em fontes aleatórias na internet, como sites pornográficos, em que a indústria vende a imagem de que é normal deixar-se levar pela impulsividade e não usar preservativo. Nessa ótica, Jo Adams, do centro de saúde sexual e combate ao HIV, afirma que quanto mais os jovens aprendem sobre o sexo e seu corpo, mais conscientes ficam de suas práticas. Resultando, dessa forma, na redução de ações impulsivas e prejudiciais a sua saúde, como não usar o método preventivo.
Atrelado a isso, a banalização dos males causados por essas doenças aos indivíduos é um fator decisivo no aumento gradativo da incidência de DSTs, muitas vezes provém da falta de conhecimento da forma que são transmitidas, sintomas e consequências, tanto físicas como psicológicas. Nesse contexto, a neurocientista,Tali Sharot, diz que os indivíduos valorizam mais recompensas imediatas que recompensas futuras. Concluindo que, torna-se mais fácil para os jovens escolher a recompensa imediata do prazer, do que evita-lo ou adia-lo por causa da possível contração de uma doença, que eles vêem tão distante de sua realidade. Culminando, dessa forma, na problemática atual.
Portanto, diante do crescente aumento de DSTs e ISTs entre os jovens brasileiros, é preciso que o Ministério da Educação, juntamente com o Ministério da Saúde iniciem uma campanha que, diferente de todas já feitas, de fato crie um vínculo com os jovens, através de um portal na internet onde eles possam ter informações confiáveis com sexólogos descontraídos como Cátia Damasceno e Dora figueiredo, além de tirar dúvidas. Desmistificando assim o tabu da educação sexual. Atrelado a isso, é necessário que os centros educacionais conscientizem seus alunos. Isso deve ser feito por meio de palestras, projetos educativos e aulas temáticas, nos quais haja a presença de profissionais da área da saúde que mostrem detalhadamente como ocorre a transmissão das doenças e relatos de pessoas que as contraíram. Fazendo com que percebam, por meio da empatia, que as DSTs estão em sua realidade.