O aumento de DSTs entre jovens brasileiros

Enviada em 01/04/2020

Max Weber acreditava que a sociedade seria formada pelas chamadas ações sociais, isto é, atos individuais. Dessa forma, o pensador via que tais ações podem ser irracionais movidas a instintos, o que acarretaria, muitas vezes, negativas influências à comunidade. Paralelamente, no contexto contemporâneo brasileiro, é visível que, pela crescente irresponsabilidade sexual de muitos jovens, há um aumento preocupante no número de casos de doenças sexualmente transmissíveis no país. Assim, a negligência por parte de muitas famílias e do Estado no que se refere ao cuidado exigido para com os jovens provoca o agravamento da problemática.

Antes de tudo, é necessário destacar o papel do ambiente familiar na construção de indivíduos sexualmente responsáveis. A esse respeito, cabe ressaltar que, para Émile Durkheim, o processo de socialização primária do cidadão ocorre com a família. Segundo o sociólogo, então, cabe a ela garantir que o indivíduo seja inserido na sociedade, bem como instrui-lo na tomada de decisões racionais durante sua vida. Contudo, observa-se que no Brasil moderno há um lamentável distanciamento de muitas famílias dessa realidade no que tange ao ensino sobre o uso de preservativos e no cuidado requerido antes da prática sexual. Tal distanciamento pode ser observado ao se avaliar dados da ONU, segundo os quais, em 2016, houve cinquenta mil casos de DSTs no país. Portanto, vê-se que a postura descuidada de muitas famílias provoca a perpetuação do empecilho social.

Outrossim, é imperativo mencionar o papel do governo federal na minimização do problema. Acerca dessa premissa, Paulo Freire defendeu a ideia de uma educação libertadora, que se aproximasse mais da realidade do aluno no que se refere a obtenção de conhecimento, para melhorar a prática de vida social. Nesse sentido, a educação sexual seria uma ferramenta de suma importância na garantia do conhecimento do jovem  acerca das DSTs. Nota-se, portanto, que a retrógrada defesa de uma educação conservadora impossibilita a aquisição de uma sociedade formada por cidadãos detentores do conhecimento acerca das responsabilidades sexuais.

Em suma, torna-se evidente a necessidade de se minimizar o crescimento dos casos de jovens detentores de DSTs. Cabem, nesse sentido, ao Ministério da Educação e ao Legislativo, por intermédio da aprovação de um projeto de emenda à constituição, incluir nos componentes curriculares dos ensinos fundamental e médio o ensino de educação sexual. Tal ensino deverá constar nas aulas de biologia, cabendo aos docentes encaminharem especialistas no assunto às escolas anualmente. Com isso, espera-se promover uma educação libertadora nas escolas brasileiras que possibilite ao jovem promover ações sociais racionais no que se refere à prática sexual.