O aumento de DSTs entre jovens brasileiros

Enviada em 03/04/2020

Após a formação dos Estados Modernos, o mundo exibiu, no início do século XVI, impasses da vida coletiva com a expansão da sífilis por toda a Europa. Nesse sentido, com poucos recursos para identificar as causas da enfermidade, os cidadãos acreditavam ser um castigo divino, mas, posteriormente, o fato ficou marcado como o primeiro surto de patologia sexual da história. Atualmente, esse cenário de aumento de Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTs) também está presente, sobretudo no cotidiano de jovens brasileiros, e tornou-se um sério problema, visto que – seja pela negligência familiar, seja pela ineficiência estatal – consolida um tabu no meio popular e prejudica o bem-estar de inúmeras pessoas.

A princípio, cabe analisar o papel negligente dos familiares sob a visão do sociólogo francês Émile Durkheim. Segundo o autor, o indivíduo só poderá agir na medida em que conhecer o contexto em que está inserido. Analogamente, o presente âmbito familiar dos jovens – o qual grande parte dos responsáveis não promovem diálogos sobre sexualidade e julgam ser desnecessário orientar seus filhos acerca de um vida sexual prevenida – permite que vários cidadãos idealizem as DSTs como situações ilusórias. Por consequência, gradativamente, as doenças sexuais transformam-se em tópicos difíceis de serem discutidos, o que prejudica a conscientização dos adolescentes.

Ademais, além da negligência familiar, a atuação estatal ineficiente também auxilia na problemática e convém ser contestada sob a perspectiva do filósofo inglês John Locke. Segundo o autor, a sociedade, em seu estado de natureza, possui o direito à vida, à saúde e à liberdade, que devem ser preservados pelo governo. Dessa forma, o atual poder público contradiz esse pensamento ao promover poucos projetos voltados para a prevenção das DSTs, os quais, frequentemente, são realizados em períodos curtos do ano e enfrentam dificuldades ao discutir com a linguagem própria dos jovens. Logo, observa-se a ausência de notícias seguras para essa faixa etária e a perda do bem-estar coletivo com a ampliação de enfermidades pelo país.

Diante disso, torna-se evidente que medidas devem ser tomadas. Para isso, as escolas, por meio de campanhas informativas com o envolvimento entre instituição e família, devem direcionar os responsáveis para dialogar com seus filhos sobre os riscos das DSTs, especialmente na orientação acerca do uso de preservativos e no esclarecimento de dúvidas. Dessa maneira, será possível descontruir o tabu que envolve a temática e aumentar o engajamento dos adolescentes com a responsabilidade sexual. Além disso, o Ministério da Saúde, a partir do recrutamento de influenciadores ligados ao público juvenil, deve potencializar projetos de conscientização com uma linguagem mais adaptada, a fim de conter as doenças sexuais e garantir que surtos patológicos fiquem apenas nos fatos históricos do século XVI.