O aumento de DSTs entre jovens brasileiros

Enviada em 11/04/2020

O mito da caverna, de Platão, descreve a situação de pessoas que recusavam-se a observar a verdade em virtude do medo de sair de sua zona de conforto. Fora da alusão, a realidade brasileira caracteriza-se com a mesma problemática no que diz respeito ao aumento de doenças sexualmente transmissíveis (DSTs) entre jovens brasileiros, visto que falar em sexualidade ainda é considerado tabu no Brasil. Nesse sentido, é preciso que estratégias sejam aplicadas para alterar essa situação, que possui como causas: a falta de conhecimento e a lenta mudança na mentalidade social.

A princípio, a falta de conhecimento apresenta-se como um complexo dificultador. Nesse contexto, o filósofo Schopenhauer defende que os limites do campo de visão de uma pessoa determinam seu entendimento a respeito do mundo. Isso justifica outra causa do problema: se o público jovem não tem acesso à informação séria sobre como se prevenir das doenças sexualmente transmissíveis, sua visão será limitada. De acordo com o médico Drauzio Varella, a maioria da população jovem não conhece as medidas preventivas que os hospitais da rede pública oferecem, realidade alarmante que dificulta a erradicação do problema.

Outro ponto relevante nessa temática, é a lenta mudança na mentalidade social. Segundo Durkheim, o fato social é a maneira coletiva de pensar. Sob essa lógica, é possível perceber que o preconceito atrelado às DSTs é fortemente influenciado pelo pensamento coletivo, uma vez que, a maioria dos brasileiros acreditam que apenas os homossexuais estão vulneráveis a essas doenças. Isso se deve, por um lado, à mídia, que abordou os casos de DSTs entre homossexuais na década de 1990 e não fez com o mesmo empenho aos casos entre heterossexuais. Portanto, se as pessoas crescem inseridas em um contexto social intolerante/ opressor/ injusto, a tendência é adotar esse comportamento também, o que torna sua solução ainda mais complexa.

Logo, medidas estratégicas são necessárias para alterar esse cenário. Como solução, é preciso que as escolas, em parcerias com a prefeitura, promovam um espaço para rodas de conversa e debates sobre o aumento de DSTs entre jovens brasileiros e os diferentes métodos de prevenção contra essas infecções no ambiente escolar. Tais eventos podem ocorrer no período extraclasse, contando com a presença dos professores e profissionais da área de saúde. Ademais, esses acontecimentos não devem se limitar aos alunos, mas ser abertos à comunidade, a fim de que mais pessoas compreendam questões relativas a esse panorama preocupante e se tornem cidadãos mais atuantes na busca de resoluções.