O aumento de DSTs entre jovens brasileiros
Enviada em 02/05/2020
" Embora o artigo 196º da Constituição Federal de 1988 assegure o acesso à saúde como direito de todos os cidadãos, percebe-se que, na atual realidade brasileira, não há o cumprimento dessa garantia, principalmente no que diz respeito ao aumento de DSTs (doenças sexualmente transmissíveis) entre jovens brasileiros. Isso acontece devido à ineficácia do Estado, bem como à dificuldade das famílias e escolas em dar uma orientação adequada aos seus membros.
Em primeira análise, é irrefutável a negligência das autoridades na resolução desse problema, visto que ele persiste no contexto atual. Segundo o escritor Gilberto Dimenstein, em sua obra " O Cidadão de Papel “, nem sempre as leis presentes nos documentos oficiais nacionais são cumpridas, desencadeando uma realidade em que os indivíduos são reconhecidos e amparados pelo Estado apenas no papel. Esse cenário é presente no Brasil, posto que o Poder Público é incapaz em garantir campanhas de prevenção contra as DSTs. Dessa maneira, essa insuficiência do aparato institucional no atendimento às demandas da nação evidencia o descaso do Governo com a coletividade.
Ademais, outro fator a salientar é a falta de informação no âmbito familiar e escolar no que tange a sexualidade. De acordo com o sociólogo Zygmunt Bauman, na obra “Amor Líquido”, as pessoas buscam não se envolver nas relações interpessoais que desenvolvem ao longo da vida. Em decorrência dessa fragilidade nos laços afetivos, é frequentemente difícil para as famílias, escolas e a sociedade como um todo discutir assuntos sobre a questão sexual, resultando na perpetuação de mitos e dúvidas. Na série " Elite “, por exemplo, uma das personagens é soropositivo e, sua família usa de todos os mecanismos para esconder tal fato da sociedade.
Portanto, cabe ao Ministério da Educação, em parceria com as escolas, promover aulas de educação sexual dentro da sala de aula, aproveitando as disciplinas de Biologia, Sociologia e Geografia para discutir essa questão em uma perspectiva mais transdisciplinar, de modo que os jovens consigam derrubar esses tabus e os mitos que cercam esse eixo temático. Em adição, O Estado deve divulgar propagandas institucionais ratificando a importância da proteção com o uso de preservativos, por meio de postagens nas redes sociais. Dessa forma, os jovens terão mais consciência em suas açôes e a garantia do Artigo 196º será efetivada.”