O aumento de DSTs entre jovens brasileiros

Enviada em 11/05/2020

Em meados do século XX, os Estados Unidos foi palco do epicentro da pandemia do vírus HIV. A princípio, acreditava-se que tal doença estava unicamente ligada à comunidade gay do país e, por isso, restrita a um determinado grupo de pessoas. Nesse cenário, a ciência moderna criou métodos contraceptivos eficazes no combate às doenças sexualmente transmissíveis. No entanto, o acesso a estas informações - principalmente entre os jovens - é precário no Brasil. Desse modo, deve-se analisar como a omissão familiar e o ensino tradicionalista corrobora a problemática.

Maiormente, a ausência de diálogos entre pais e filhos é o principal responsável pelo aumento das DST’s no país. Em suma, isso acontece porque, na atual sociedade hipercapitalista, o desejo insaciável pela obtenção do máximo lucro monetário faz com que pais passem mais tempo trabalhando que educando seus filhos. Em síntese, esse panorama pode ser evidenciado quando adolescentes iniciam a vida sexual sem nenhuma orientação adequada. Sob esse víeis, por exemplo, segundo a Pcap, 43% dos jovens brasileiros não se protegem durante a atividade sexual. Por conseguinte, o indivíduo torna-se suscetível a danos físicos acarretados pela doença.

Outrossim, o falho sistema de ensino - no que diz respeito às relações interpessoais dos alunos - contribui para a ocorrência do problema. Nessa perspectiva, segundo Émile Durkheim, sociólogo francês, a escola é uma das instâncias da socialização. Logo, é vital apresentar não somente conteúdos que posteriormente serão cobrados em provas, mas também noções de cidadania. Assim, sem o conhecimento a respeito das possíveis maneiras de se proteger, o indivíduo torna-se vulnerável, prejudicando a harmonia social e, por consequência, a plena vivência de cidadania.

Verifica-se, portanto, que as famílias e as escolas devem criar medidas para amenizar o quadro atual. Em razão disso, urge que o Ministério de Saúde em conjunto com formadores de opinião, dissemine, por meio das redes sociais, campanhas que alertem os pais e filhos sobre os perigos do sexo inseguro. Ademais, o Ministério de Educação, em parcerias com as escolas, incremente, por meio de uma reforma curricular, a disciplina de Educação Sexual. Tal disciplina, ministrada por professores treinados, terá o objetivo de esclarecer e difundir a prática do sexo seguro. Somente assim, será possível garantir a plena cidadania a todos os brasileiros e evitar que uma nova epidemia, como a ocorrida nos EUA, venha a acontecer na sociedade brasileira.