O aumento de DSTs entre jovens brasileiros
Enviada em 13/05/2020
A série de televisão “Sex Education”, produzida pela empresa americana Netflix, demostra a falta de informação e educação sexual entre jovens e suas consequências negativas. De maneira análoga, fora da ficção, muitos jovens brasileiros também não recebem educação sexual, por conta da negligencia familiar e escolar que, aliada a banalização das doenças e do tratamento gerou um aumento nos casos de doenças sexualmente transmissíveis entre os jovens brasileiros.
Em primeira análise, cabe ressaltar que a falta de educação sexual gera desinformação entre os jovens e a possibilidade de um comportamento sexual não saudável. Dessa maneira, apesar da escola e da família serem responsáveis pela orientação desses jovens, há negligencia na educação sexual, visto que o assunto ainda é considerado tabu pela sociedade. Nesse sentido, sem a informação necessária para iniciar a vida sexual de maneira saudável muitos jovens não se previnem e ficam expostos a DSTs. A exemplo disso, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, criada em 1993, não define nenhum parâmetro para a abordagem desse assunto, o que não torna obrigatório a abordagem do assunto. Portanto, para evitar que os jovens iniciem sua vida social desinformados e propensos a não prevenção de doenças sexualmente transmissíveis, como os adolescentes de Sex Education, é necessário que a escola e a família cumpram seu papel na educação sexual.
Ademais, os avanços no combate as DSTs geraram um quadro de banalização destas doenças e a impressão de diminuição de sua gravidade. Desse modo, segundo o Ministério da Saúde, em 2016, 6 em cada 10 jovens de 15 a 24 anos tinham relações sexuais sem preservativo, o que aumenta exponencialmente o risco de contágio de DSTs. Assim, parte da juventude brasileira não possui mais o mesmo temor de contrair doenças transmissíveis pelo contato sexual que se tinha, por exemplo, após o surto de HIV no Brasil em 1990 e em vista disso, está mais suscetível a apresentar comportamento sexual de risco. Sendo assim, os avanços no tratamento das DSTs gerou uma crença errônea entre os jovens de que elas estão menos agressivas ou contagiosas, o que causou um quadro de banalização das doenças e fez com que estes passassem a confiar exclusivamente no tratamento sem se preocupar com a prevenção.
Em suma, cabe ao Ministério da Educação promover a educação sexual nas escolas, por meio palestras feitas por profissionais da saúde que tragam informações sobre a prevenção e a prática de sexo seguro, voltadas a alunos com idade adequada, para assim diminuir a desinformação dentre os jovens e consequentemente o número de casos de DSTs. Além disso, cabe ao Ministério da Saúde promover campanhas de conscientização a respeito das consequências negativas das DSTs.