O aumento de DSTs entre jovens brasileiros
Enviada em 18/05/2020
Na série brasileira “Os Dias Eram Assim”, ambientada nos anos 70, a personagem Nanda vive o drama de ser diagnosticada com o vírus HIV. O seriado, apesar de tratar de uma ficção, não está tão distante da realidade brasileira, tendo em vista o grande número de Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTs), entre os jovens, que surgem com cada vez mais frequência. Dentro desse contexto, a omissão da família e da escola acerca da educação sexual e a banalização do sexo pelas mídias, corroboram para o aumento de casos de DSTs dentro esse grupo. Diante disso, analisar o atual cenário é fundamental para combater tal problemática no Brasil.
É preciso considerar, antes de tudo, que há uma deturpação no que se refere ao tema “sexo” no ambiente familiar e no escolar. Nesse sentido, em consonância com o filósofo Michel Foucault, em sua obra “A Ordem do Discurso”, a família, ao encarar esse tema como um tabu, provoca o distanciamento dos filhos, evitando conversas que seriam necessárias nesse período da juventude. Além disso, as escolas adotam uma postura errônea ao considerar que tratar de assuntos sexuais com crianças e adolescente seria um incentivo para iniciarem, de forma precoce, a vida sexual. Dessa forma, a falta de diálogo familiar, aliada à negligência das escolas, contribuem para o agravamento de questões como gravidez precoce, abuso sexual e, principalmente, casos de DSTs entre os jovens.
Ademais, vale ressaltar, ainda, que a mídia banaliza as relações sexuais. Isso pode ser explicado pelo conteúdo que é passado para o público adolescente, uma vez que, raramente, divulgam informações de cunho educativo a respeito dos prejuízos que a falta de conhecimento pode causar. Sob esse viés, a filósofa alemã Hannah Arendt, defende que o mal tornou-se algo comum na sociedade. Nesse contexto, o jovem trivializa o sexo exposto na mídia e, ao se relacionar de forma irresponsável com outra pessoa, contrai infecções. Logo, faz-se necessária ações mais contundentes do Estado, visando à ruptura de tal situação, visto que seus efeitos atingem parcela considerável da população.
Infere-se, portanto, que é imprescindível o desafio para combater o amento de casos de DSTs entre os jovens no Brasil. Para isso, o Ministério da Educação (MEC), em parceria com as escolas, deve incluir educação sexual no currículo escolar, por meio de palestras para pais e alunos sobre os riscos que a falta de informação pode causar, com o objetivo de esclarecer o tema e reeducar a família, tendo em vista sua importância na transformação e conscientização desses adolescentes. Outrossim, o Ministério da Saúde, através de campanhas midiáticas, deve criar propagandas com o intuito de orientar o público jovem sobre os perigos de se contrair infecções. Dessa forma, será possível diminuir os casos de DSTs entre os adolescentes e garantir que a teoria de Foucault fique apenas no passado.