O aumento de DSTs entre jovens brasileiros
Enviada em 02/06/2020
No livro ’depois daquela viagem’’, da escritora Valéria Polizzi, retrata a vida da autora que, ao contrair HIV aos 16 anos, sofre com o preconceito e os problemas de saúde decorrentes dessa doença. Nesse contexto, essa é uma realidade comum a muitos jovens brasileiros que, mesmo com os avanços informacionais e científicos, ainda são maioria entre os infectados, gerando, assim, problemas como: danos físicos, preconceitos e um aumento da pressão nos serviços públicos de saúde.
Em primeiro lugar, é imperioso salientar que o século XXI é caracterizado pela facilidade de acesso a informação e, também, a métodos contraceptivos que impedem o avanço das IST’s e DST’s. Entretanto, de acordo com o médico Dráuzio Varella, o tabu e a falta de informação sobre educação sexual, aliados a banalização da utilização dos métodos de proteção são grandes impulsionadores dessa doença entre os mais jovens no Brasil. Com base nisso, dados do Ministério da Saúde registram que, entre 29 mil novos casos confirmados, o perfil predominante são os jovens. Logo, torna-se evidente que, a falta de conhecimento sobre sexualidade faz com que a história da autora Valéria Polizzi seja, cada vez mais, comum entre os jovens brasileiros.
Nesse ínterim, a terra verde e amarela carrega em seu bojo os problemas causados por essa mazela social que vão desde os danos físicos até a exclusão social desses indivíduos. Partindo dessa perspectiva, o filme ’’Filadélfia’’ mostra a vida do advogado Andrew que, após ter sua condição de soropositivo revelada entre seus colegas de trabalho, sofre diversos tipos de preconceito até perder o seu emprego. Para além da ficção, o estigma associado as DST’s e IST’s afetam e excluem socialmente todos os indivíduos que compartilham a mesma condição que Andrew, afetando, além da saúde, o convívio social. Além disso, o grande número de casos de infecção com essas doenças geram um aumento da pressão dos serviços de saúde que, já sucateados, não conseguem garantir, de fato, o bem estar desses indivíduos.
Sendo assim, o Brasil tem um longo caminho a percorrer rumo a solução dessa problemática. Dessa forma, medidas compartilhadas entre o Poder Público e a Sociedade Civil são necessárias para combater o avanço das DST’s e IST’s entre os jovens brasileiros. Partindo dessa égide, cabe ao Ministério da Saúde a criação de campanhas midiáticas que dialoguem diretamente com os jovens, através de uma linguagem própria e, de preferência, em canais alternativos como as redes sociais, buscando, assim, alcançar e informar o maior número possivel desses indivíduos. Ademais, cabe as escolas, em parceria com o Ministério da Educação, a inclusão de aulas de educação sexual em sua grade curricular, quebrando o tabu sobre sexualidade e informando a necessidade dos métodos de proteção no combate dessas doenças. Feito isso, as histórias de Valéria e Andrew poderão ser menos comuns entre os jovens.