O aumento de DSTs entre jovens brasileiros

Enviada em 30/05/2020

A série televisiva “Sex Education” aborda a sexualidade na adolescência e retrata, em um de seus episódios, o pânico que se instaura na escola após um suposto surto de clamídea. A histeria coletiva decorre devido ao desconhecimento da não transmissibilidade da doença pelas vias áreas. Fora da ficção, embora tenha ocorrido uma intensificação das campanhas de conscientização e prevenção às DSTs, há um crescimento alarmante de pessoas infectadas com danos irreparáveis à saúde, muitas acometidas devido à falta de educação sexual nas escolas ou pela banalização dos métodos de proteção. Sendo assim, medidas são necessárias para mitigar essa problemática.

Em primeiro lugar, é substancial destacar a limitação do ensino sobre sexualidade à campanhas midiáticas superficiais e limitadas à faixas etárias específicas.Tal fato, decorre do discurso moral que desaprova a educação sexual nas escolas por acreditam numa ilusória influência sobre a orientação sexual dos alunos. Discurso esse, por vezes, disseminado pelo presidente Jair Bolsonaro e pela Ministra da Família - Damares. Em contrapartida, para a Organização Mundial da Saúde, a educação sexual é indispensável e está relacionada à promoção dos direitos humanos. Além disso, também é fundamental para evitar distorções como o ocorrido na série mencionada anteriormente.

Faz-se mister, ainda, salientar a não importância dada pelo jovens ao uso de preservativos. Na década de 1980, com o surgimento da Aids e posterior disseminação no Brasil, milhares de vidas foram dizimadas, o que gerou uma onda de medo na população e consequente redução do número de casos. Hoje, por não ter vivenciado situação semelhante e pelo desenvolvimento do tratamento para algumas doenças graves, os jovens se sentem mais seguros, desvalorizam o uso de preservativos e desconsideram a criticidade de se viver com doenças crônicas adquiridas através do sexo. Como apontam pesquisas recentes, 43,4% dos jovens já fizeram sexo casual sem proteção. Diante de tal contexto é frutual que ações sejam tomadas.

Infere-se, portanto, que ainda há entraves para garantir à integridade física dos jovens brasileiros. Dessa maneira, urge que Congresso promulgue lei que regularize a educação sexual nas escolas, visando a emancipação e o desenvolvimento de pensamento crítico dos jovens, conforme postula o filósofo Theodor Adorno. Tal projeto deve ser implementado por meio de disciplina específica na grade curricular, com carga horária mínima de duas horas aulas semanais, ministradas por professores de biologia, sociologia e filosofia - em caráter interdisciplinar. Dessa forma, o Brasil poderá formar cidadãos mais conscientes e combater a disseminação de doenças.