O aumento de DSTs entre jovens brasileiros
Enviada em 09/06/2020
Com o advento da Revolução Industrial, o acesso à informação deu-se de forma facilitada e a internet tornou-se um ambiente favorável ao debate de inúmeros assuntos. No entanto, diversos deles ainda carecem de questionamentos, entre eles, o sexo. O tabu relacionado à essa prática, juntamente com a falta de diálogo saudável e profissional, possibilita o aumento exacerbado do número de doenças sexualmente transmissíveis, não só no Brasil, como também no mundo.
É relevante abordar, primeiramente, que o tabu e a negação da discussão desse assunto é iniciado no ambiente familiar e prolongado ao espaço escolar. O filósofo Michael Foucault analisou essa questão e argumentou que alguns assuntos, sobretudo a sexualidade, sofrem retrições e proibições na sociedade. Logo, fatores como o debate raso e banal desse assunto, retratado em músicas e sites ilícitos, como também o desconforto dos pais e professores em abordá-lo com os seus filhos e alunos, acarretam na falta de responsabilidade na prática sexual e, consequentemente, a escassez de prevenção e preservação.
Além disso, a redução de campanhas de conscientização e a divulgação de fake news, são fatos limitantes para que haja o cumprimento do direito pleno à saúde, garantido pela Constituição Federal de 1988. Discursos como o de Damares, ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos do Brasil, que defende a “abstinência sexual para adolescentes” como método de “preservação sexual” pioram, ainda mais, esse cenário caótico. Somado a isso, a escassez de campanhas que incentivem o uso da camisinha, -método mais eficaz contra a infecção com doenças sexualmente transmissíveis-, ocasiona a falta de segurança durante as relações íntimas, gerando consequências negativas para ambas as partes.
Desse modo, urge a conscientização e a discussão da sexualidade em todas as esferas do nosso país. Cabe à família e as escolas, o debate saudável dessa questão. Podem realizar esse debate através de palestras ofertadas por profissionais da área, que objetifiquem o conhecimento das doenças e as possíveis medidas para evitá-las, sem tratá-las como um tabu. Necessita-se também da maior divulgação de campanhas para prevenção, para que dessa forma, possamos reduzir o paradoxo da falta de informação na era digital em que vivemos.