O aumento de DSTs entre jovens brasileiros

Enviada em 14/06/2020

O artigo 296 da Constituição Federal de 1988 garante a saúde como direito de todos os brasileiros e dever do Estado. No entanto, o crescimento das doenças sexualmente transmissíveis (DSTs) entre os jovens, no Brasil, expõe a efetivação ainda deficiente desse direito e reflete o tabu social quanto ao sexo, bem como a ineficiência das estratégias governamentais na redução dessa problemática.  Tal conjuntura auxilia na disseminação dessas patologias e de seus danos sociais e econômicos, devendo, portanto, ser superada.

Diante disso, é indubitável que a escassez de espaços de diálogo sobre as relações sexuais, especialmente nas escolas, esteja entre as causas dessa preocupante realidade nacional. Segundo Anísio Teixeira, intelectual brasileiro, as escolas são responsáveis pela mudança de atitudes. Nesse sentido, a falta de debate sobre o sexo e suas consequências, nas instituições de ensino, contribui para a permanência do tabu social quanto a esse tema entre os adolescentes e suas famílias, o que dificulta a orientação dos jovens sobre as práticas sexuais seguras, como o uso do preservativo - de acordo com IBGE, apenas 66% dos adolescentes afirmam ter usado a camisinha em sua última relação. Como consequência tem-se a disseminação das DSTs, como a sífilis e a aids, nesse segmento, o que pode  lhes provocar sérios danos biológicos, a exemplo da infertilidade e do retardo mental.

Outrossim, esse quadro é agravado pela ineficácia das políticas públicas de combate a tais agravos. É comum a visualização de campanhas publicitárias contra a aids em épocas festivas, como no carnaval, mas não ao longo do ano. Essa sazonalidade das estratégias governamentais, aliada à linguagem pouco atrativa desses anúncios ao público adolescente - utiliza-se muitos jargões médicos e autoridades de saúde mais velhas - leva ao esquecimento social da gravidade dessas doenças e à sua não prevenção entre os jovens, elevando sua disseminação, o que onera o sistema de saúde.

Dessa forma, urge que o Estado brasileiro tome medidas diligentes que mitiguem a perpetuação das DSTs entre os jovens. Destarte, os Ministérios da Educação e o da Saúde devem criar espaços de diálogo sobre o sexo, nas escolas, por meio de um programa nacional de educação sexual com aulas ministradas por profissionais de saúde ministradas mensalmente aos adolescentes e semestralmente aos pais, a fim de desmitificar essa temática e orientar os jovens quanto as práticas sexuais seguras. Por fim, o governo federal deve, mediante a permanência das campanhas publicitárias contra essas patologias ao longo do ano e da utilização de influenciadores digitais, como a atriz Larissa Manuela, tornar as estratégias de combate as DSTs mais eficazes e atrativas aos adolescentes.