O aumento de DSTs entre jovens brasileiros

Enviada em 12/06/2020

Com a invenção da pílula anticoncepcional em 1960, o uso de preservativos  — como a camisinha  — foi negligenciado pela sociedade, o que desencadeou em uma grande epidemia da AIDS. A falta de acesso à informação na época fazia com que as pessoas relacionassem o uso da camisinha exclusivamente com a proteção à gravidez, tornando-as vulneráveis às doenças sexualmente transmissíveis. Na atualidade, apesar dos avanços informacionais, é notável o aumento da contaminação por DSTs devido a falta de conhecimento básico sexual entre os jovens. Além de causar danos físicos nos indivíduos, esse problema também aumenta a pressão sobre o sistema público de saúde por demandar cuidados a longo prazo.

No Brasil, a sexualidade é considerada um “tabu” entre as pessoas, o que impede esse assunto de ser  amplamente debatido. Muitas famílias conservadoras acreditam que falar sobre sexo é errado, e que pode deturpar a inocência da criança e do adolescente, no entanto, o assunto deve ser abordado de forma didática e adequada para sua idade. O tratamento de silêncio em relação ao sexo é a fonte para desinformação, e, posteriormente, pode induzir uma conduta inadequada nas interações sexuais do indivíduo. Muito além da gravidez indesejada, é preciso conscientizar os jovens sobre a existência das doenças sexualmente transmissíveis, os perigos de contraí-las e como evitar que isso aconteça. Por isso, a educação sexual tem um importante papel na manutenção da saúde dos indivíduos e deve ser explorada tanto no âmbito familiar quanto nas escolas.

Segundo o Ministério da Saúde, houve um aumento de 4.000% nos casos de sífilis entre os anos de 2010 e 2018 no país. A partir desse dado, é possível prever a sobrecarga que os casos de sífilis irão causar no sistema de saúde, visto que a doença possui consequências neurológicas e atinge até mesmo recém-nascidos cujo a mãe é portadora. Essa doença pode ser facilmente evitada com o uso de preservativos, mas, com a desinformação sobre as doenças e as formas de prevenção, doenças como essa exigirão mais recursos dos hospitais no futuro.

Com a falta de informação dos jovens e o consequente aumento na contaminação por doenças sexualmente transmitidas, medidas devem ser tomadas para evitar os danos individuais e coletivos que essa situação está causando no Brasil. É dever do Ministério da Educação, em parceria com as escolas, ministrar aulas e seminários de educação sexual tanto para os alunos quanto para os seus pais. É necessário que esse recurso seja aplicado de forma adequada para o público jovem-adulto, com linguajar próprio para atrair atenção e credibilidade. Dessa forma, podemos educar os nossos jovens em prol da diminuição da circulação de DSTs e, assim, livrar o sistema de saúde de casos como esse.