O aumento de DSTs entre jovens brasileiros
Enviada em 15/06/2020
Com a invenção da pílula anticoncepcional em 1960, o uso de preservativo — como a camisinha — foi negligenciado pela sociedade, o que desencadeou em uma grande epidemia da AIDS. É fato que a falta de acesso à informação na época fazia com que as pessoas relacionassem o uso da camisinha exclusivamente com a proteção à gravidez, tornando-as vulneráveis às doenças sexualmente transmissíveis. Na atualidade, apesar dos avanços informacionais, é notável o aumento da contaminação por DSTs devido a falta de conhecimento básico sexual entre os jovens. Além de causar danos físicos nos indivíduos, esse problema também aumenta a pressão sobre o sistema público de saúde por demandar cuidados a longo prazo.
Sabe-se que, no Brasil, a sexualidade é considerada um “tabu” entre as pessoas, o que impede esse assunto de ser amplamente debatido. Muitas famílias conservadoras acreditam que falar sobre sexo é errado, e que pode deturpar a inocência da criança e do adolescente, no entanto, o assunto deve ser abordado de forma didática e adequada para sua idade. Portanto, nota-se que o tratamento de silêncio em relação ao sexo é a fonte para desinformação, e posteriormente, pode induzir uma conduta inadequada nas interações sexuais do indivíduo. Além da gravidez indesejada, é preciso conscientizar os jovens sobre a existência das doenças sexualmente transmissíveis, os perigos de contraí-las e como evitar que isso aconteça. Por isso, a educação tem um importante papel na manutenção da saúde dos indivíduos e deve ser explorada tanto no âmbito familiar quanto nas escolas.
Segundo o Ministério da Saúde, houve um aumento de 4.000% nos casos de sífilis entre os anos de 2010 e 2018 no país. A partir desse dado, é possível prever que a sobrecarga que os casos de sífilis irão causar no sistema de saúde, visto que a doença possui consequências neurológicas e atinge até mesmo recém-nascidos cujo a mãe é portadora. Essa doença pode ser facilmente evitada com o uso de preservativos, mas, com a desinformação sobre as doenças e as formas de prevenção, enfermidades como essa exigirão mais recursos dos hospitais no futuro devido aos cuidados prolongados oferecidos aos jovens infectados.
Dessa forma, medidas devem ser tomadas para evitar os danos que a falta de informação dos jovens e o consequente aumento na contaminação por DSTs está causando no Brasil. É dever do Ministério da Educação, em parceria com as escolas, inserir aulas e seminários de educação sexual no calendário letivo de forma adequada para o público jovem, com a utilização de linguajar próprio para atrair atenção e credibilidade. Assim, será possível educar os jovens brasileiros em prol da diminuição de casos de contaminação por doenças sexualmente transmissíveis e o desafogamento do sistema de saúde.