O aumento de DSTs entre jovens brasileiros
Enviada em 23/06/2020
Na série “Elite”, é narrada a história de Marina, uma menina portadora do vírus HIV, síndrome da imunodeficiência, e que sofre muito preconceito. Não só no meio fictício, mas também no Brasil, jovens vêm contraindo doenças sexuais pelo desuso do preservativo e, por vezes, ignoram o diagnóstico por medo da repulsa social, o que aumenta as DSTs entre os jovens. Para isso, tanto a banalização das enfermidades como a omissão estatal favorecem esse quadro estarrecedor.
Primeiramente, a população vem perdendo o medo do sexo sem o uso do preservativo. Trata-se de uma sociedade advinda de uma época com o acesso mais fácil à coquetéis, métodos contraceptivos e à prática de “paquera”, em aplicativos como o Tinder. De acordo com o diplomata Maquiavel, os fins justificam os meios. Esses “meios”, ausência do uso da camisinha, são usados pelos rapazes que mantém uma variedade de relações sexuais, em um só mês, que, por vezes, adquirem infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), passam a outras pessoas e no fim vêm que seus “fins”, remédios, não trazem a cura da moléstia. Logo, evidencia-se que essa disponibilidade de prevenções às ISTs trazem uma falácia sensação de segurança, a qual corrobora o aumento de DSTs entre jovens.
Ademais, a omissão estatal impulsiona esse caos. Isso porque, os alertas midiáticos só dão enfoque, em sua maioria, a doenças específicas, como o HIV, e escolas se recusam a abordar temas sobre a educação sexual, por medo da hostilização de pais conservadores. Essas situações fornecem uma aprendizagem sexual, de modo indireto, errônea a esses adolescentes, pois deixa-os suscetíveis à reprodução de sexos sem preservativos, influenciados pela Indústria Pornográfica, algo já alertado pelo político russo Mikhail Bakunin, o qual dizia ser o Estado a negação da humanidade. Desse modo, uma autoridade que foge de suas obrigações sociais, não orienta jovens sobre como uma gravidez precoce pode trazer danos psicossociais e deixa de alertá-los a respeito de entraves, como a infertilidade, que pode emergir ao contrair uma moléstia, é um incentivo ao aumento de DSTs e os ditos de Bakunin.
Destarte, é mister que o Ministério da Saúde e o Ministério da Educação revertam esse panorama da banalização das enfermidades e a negligência estatal, com incentivos ao uso de preservativos nos postos de saúde e redes sociais, por meio do auxílio de digitais influencers que desconstruam mitos quanto ao uso de camisinha, mostrando como usá-las no ato e ressaltar os seus benefícios. Tal iniciativa deve ainda buscar ajuda de escolas e ONGs a fim de fornecer preservativos agregado à métodos contraceptivos, fornecer palestras aos pais junto aos alunos para lembrá-los que muitas moléstias, desenvolvidas pelo sexo, não tem cura e incentivar o respeito e a empatia, em matérias sociais, com pessoas portadoras do HIV. Dessa forma, evitar-se-á casos como da Marina na série Elite.