O aumento de DSTs entre jovens brasileiros
Enviada em 06/10/2020
O cenário de avanço dos casos de infecções sexualmente transmissíveis entre os jovens brasileiros demonstra falta de consciência e cuidado com o próprio corpo. Isso porque, por um lado, há o fortalecimento de um princípio de prazer imediato entre essa população que banaliza os danos; por outro, as consequências desses atos levianos se mostram trágicas. Nesse sentido, analisar e solucionar essa questão se faz necessário.
Em primeira análise, para discutir as causas do aumento de DSTs entre a juventude brasileira é válido citar a filosofia grega hedonista. Segundo ela, o prazer do corpo sem limites é um bem-supremo e serio o único caminho para a felicidade. Sendo assim, pode-se afirmar que a postura do jovem ao praticar sexo sem proteção é alinhada com essa doutrina pois visa apenas a satisfação imediata, sem levar em conta os possíveis resultados; ao lado disso também há uma descrença na possibilidade de contrair algum tipo de doença venérea, como se fosse algo distante da realidade. Prova disso, segundo o Ministério da Saúde, 9 em casa 10 jovens sabem da necessidade do uso da camisinha, porém apenas 6 deles a usaram na última relação sexual.
Ademais, as consequências do avanço das ISTs podem ser discutidas com o auxílio do conceito Durkheimiano de fato patológico. De acordo com ele, algumas condutas estão inseridas na sociedade, entretanto são extremamente danosas para o corpo social. Nesse contexto, a banalização do uso do preservativo no meio jovem consiste em um fato doentio já que seus resultados são nocivos: a possibilidade de contrair HIV, sífilis, gonorreia e outras enfermidades é alta com os comportamentos de riscos. Vale ressaltar que a falta de medo das moléstias é reflexo de uma geração que não viu seus ídolos morrerem vítimas da AIDS como Cazuza, Freddie Mercury e Renato Russo.
Diante do exposto, conclui-se que a alta das taxas de doenças sexualmente transmissíveis entre adolescentes e jovens adultos é uma questão de saúde pública. É de suma importância que o Estado Brasileiro desenvolva campanhas mais atualizadas sobre o tema, com debates mais frequentes nas comunidades e nas escolas direcionadas ao público jovem, explicando os riscos e as repercussões da ausência de proteção na relação sexual; além disso, as aulas de educação sexual devem ser obrigatórias no currículo escolar. Dessa maneira, os altos índices dessas patologias podem deixar de fazer parte da realidade brasileira.