O aumento de DSTs entre jovens brasileiros
Enviada em 27/06/2020
Freddie Mercury, Michael Focault e Anthony Perkins, a princípio, não parecem ter nada em comum. É inegável que todos os três são excelências e possuem um legado indubitavelmente importante na música, literatura e no cinema, mas além disso, não há indícios de similaridades entre eles em um primeiro momento. Entretanto, os três indivíduos tiveram sua saúde acometida pelo vírus da AIDS, provando que doenças sexualmente transmissíveis (DSTs) podem atingir qual um, independente de raça, classe social ou credo. Essa realidade pode ser observada entre os jovens brasileiros, já que, graças a ineficiência do Estado de realizar ações de prevenção efetivas e a banalização das DSTs, o aumento das doenças sexualmente transmissíveis entre esse grupo, independente da raça, classe social e credo, não para de crescer.
Em primeiro lugar, é importante destacar que, o Estado realiza cada vez menos ações que visem conscientizar os jovens brasileiros do perigo das DSTs. Ainda que, segundo o Artigo 196 da Constituição, a saúde seja um direito de todos e um dever do Estado, este se mostra cada vez mais ineficaz em realizar essa tarefa. Não existem campanhas publicitárias direcionadas aos jovens, incentivando o uso da camisinha e discorrendo sobre sexo seguro, o que acaba por criar uma geração de adultos doentes e por consequência um sistema de saúde pública cada vez mais caro.
Por conseguinte, uma vez que as DSTs não são pauta entre os jovens, percebe-se cada vez mais uma banalização das mesmas. Ainda que informações sobre o assunto existam e que histórias de pessoas famosas que tiveram suas vidas ceifadas por uma DST, como a do líder do Queen, a do autor de Vigiar e Punir e a do eterno Norman Bates de Psicose, sejam de conhecimento geral, a falta de direcionamento para a busca desses dados, faz com que os adolescentes ajam como se fossem imunes a essas doenças, o que, longe de ser verdade, acaba por gerar um grande número de casos.
Sendo assim, é mister que o Estado tome providências para amenizar o quadro atual. Para a conscientização dos jovens brasileiros e da sociedade como um todo a respeito do problema, urge que o Ministério da Saúde crie, por meio de verbas governamentais, campanhas publicitárias informativas em plataformas que são utilizadas majoritariamente por adolescentes, utilizando uma linguagem que se conecte diretamente com eles. A fim de diminuir a banalização das DSTs é necessário que o Ministério da Educação e Cultura introduza na grade curricular das escolas públicas e privadas aulas de Educação Sexual, onde se explicite a importância dos preservativos no combate as doenças sexualmente transmissíveis. Somente assim, criaremos uma geração de adolescentes conscientes e adultos saudáveis, com histórias diferentes das de Mercury, Focault e Perkins.