O aumento de DSTs entre jovens brasileiros
Enviada em 30/07/2020
No início do decênio de 1980, apareceram os primeiros casos de HIV no Brasil. Cerceado por desconhecimento e preconceito a doença alastrou-se cruelmente matando aos poucos os que infectavam-se. Foi então que, em 1987, o medicamento AZT possibilitou o controle do vírus no corpo dos enfermos, trazendo esperança de vida. Hodiernamente, após históricos avanços na luta contra as Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTs), encontra-se uma taxa crescente de infecções entre os jovens ocasionado pela paradoxal desinformação e que se materializa em diversos danos aos indivíduos.
Primeiramente, é válido analisar que há uma contradição na ascensão de casos de DSTs entre a juventude. Isso porque, nunca antes se teve tanto acesso a informação, da mesma forma que nunca antes a medicina esteve tao avançada no tratamento das infecções. Entretanto, o esclarecimento acerca da educação sexual na adolescência, geralmente, é permeada por tabus e desinformação, aonde o medo infundado de que jovens iniciem cada vez mais cedo a atividade sexual obscurece o fato de que sem orientação adequada, os jovens não terão conhecimento dos riscos de se contrair uma DST, nem de como evitá-la. Desta forma, a incoerente era da informação esbarra em temores moralistas prejudicando os jovens.
Ademais, as consequências do contagio de uma DST vai além do dano físico. Uma vez que, o estigma de ser portador de uma infecção sexualmente transmitido ainda é presente na sociedade, e a pressão por ser socialmente aceito naturalmente presente na juventude acaba se agravando em tal condição. Assim como descreve a obra autobiográfica “Depois Daquela Viagem” de Valéria Piassa, aonde a jornalista conta sobre sua vida após ter contraído HIV aos 15 anos, no livro é explicito o medo de não conseguir construir relações afetivas se os outros soubessem de sua condição de saúde, de forma que a doença afeta mais sua autoestima que sua saúde física em si. Vê-se, pois, o efeito devastador no psicológico dos jovens, pondo em risco sua saúde mental.
Sendo assim, diante da desinformacao e em consequencia seus males, cabe ao Ministério da Educacao atenuar tal problemática. Com a criacao de aulas sobre educacao sexual, a fim de ensinar a importancia da utilizacao de metodos contraceptivos e da camisinha alem de educar sobre as diferenciacoes das DSTs e suas paticulariedades. Assim, o mal do preconceito e da desinformacao se mitigará, dando uma nova esperanca no combate das DSTs tal como fez o AZT com o vírus da AIDS.