O aumento de DSTs entre jovens brasileiros

Enviada em 16/07/2020

Na obra “Depois Daquela Viagem”, a autora Valéria Piassa aborda o seu cotidiano após contrair AIDS em uma relação sexual sem o uso de preservativo em 1986, quando havia poucas informações e recursos para o tratamento dessa DST - Doença Sexualmente Transmissível. Tendo em vista tal panorama, essa obra literária pode ser associada ao cenário contemporâneo brasileiro, o qual mesmo com os avanços em torno de pesquisas e prevenções acerca das DSTs há um aumento dessas enfermidades entre os jovens.

Em primeiro lugar, observa-se que os tabus criados pela sociedade por meio dos padrões morais e religiosos associados à educação sexual embasam mitos, constrangimentos e a ausência de diálogos acerca desse tema no ambiente não só escolar, mas também familiar. Dentro dessa lógica, vale ressaltar que a educação sexual aborda diversos temas fundamentais, como sexo, métodos contraceptivos e doenças sexualmente transmissíveis, logo esse tema visa educar e conscientizar jovens sobre a prevenção de enfermidades. Nesse sentindo, a falta desse ensino fomenta o desconhecimento e concomitantemente o aumento dos índices de DSTs no cenário brasileiro. Dessa forma, conforme o Ministério da Saúde, cerca de 60% dos adolescentes não usam camisinha e o número de casos de AIDS aumentou 40% nos últimos 12 anos.

Soma-se a isso a negligência estatal, mediante ao baixo investimento em campanhas que visam alerta à população sobre os riscos das DSTs. Desse modo, essas campanhas são ampliadas apenas em épocas festivas, como exemplo, o carnaval. Assim, essas campanhas irregulares levam parcela da população a acreditar que essas enfermidades -AIDS e sífilis- só existem em determinado período. Ademais, vale destacar o cenário paradoxal entre os dados e o aumento dos casos de doenças sexualmente transmissíveis. Segundo a Organização Mundial da Saúde, 94% dos brasileiros sabem que o preservativo é a melhor forma de se prevenir a sífilis e a AIDS, mas apenas 45% utilizam preservativos. Dessa modo, conforme o filósofo hedonista Epicuro há dois grupos de prazeres os duradouros e os imediatos que podem gerar sofrimento. Assim, os jovens cada vez mais optam por momentos imediatistas de prazer e banalizam o uso de preservativos nas relações sexuais.

Urge, portanto, que o Governo Federal, em ação conjunta com o Ministério da Saúde, mediante o repasse de verba, implemente em campanhas educativas em redes de amplo alcance, como TV, rádio e redes sociais. Isso deve ocorrer com o intuito de alertar e informar profilaxias em torno das doenças sexualmente transmissíveis. Em adição, é fundamental que o Estado altera a matriz curricular e adote como matéria escolar a educação sexual de acordo com a turma e a idade.