O aumento de DSTs entre jovens brasileiros
Enviada em 27/07/2020
Em um de seus poemas, Carlos Drummond de Andrade cita: “Tinha uma pedra no meio do caminho”, metaforizando os desafios que impendem o pleno desenvolvimento de um bem-estar social. Correlativamente, no Brasil hodierno, o grande índice de transmissão das doenças sexualmente transmissíveis, principalmente entre a população juvenil, configura-se como um obstáculo na conquista do bem comum, uma vez que esse descuido faz com que possa haver colapso na saúde pública. A partir disso, é válido inferir que a lenta mudança de mentalidade da sociedade, bem como a omissão governamental estão entre as principais premissas agravantes desse quadro.
É inevitável, em primeiro aspecto, observar a falta de conscientização, por parte da maioria dos jovens, ao postergar a utilização de preservativos durante relações sexuais devido à escassez de informações sobre a sua importância. Questões desse tipo conduzem um maior agravamento do número de contaminados por DSTs, com isso a taxa de indivíduos dependentes da saúde pública aumenta, uma vez que necessitam de tratamento, o que pode gerar colapso nessa área. Sob essa ótica, segundo o médico Dráuzio Varella, o problema da saúde no Brasil é que investem mais no tratamento de doenças do que em sua prevenção. À luz dessa ideia, seria crucial melhorar a educação sexual no país, para que dessa forma, os citadinos possam engajar-se no combate dessas infeções.
Outrossim, as autoridades públicas não têm dado a devida importância para esse assunto, visto que a divulgação da necessidade de prevenção das DSTs ocorre somente em épocas festivas, como o carnaval. Situações como tal fazem com que o aumento no número de casos de indivíduos infectados por essas patologias seja cada vez maior. Nesse sentido, de acordo com Rousseau, filósofo renascentista, o Contrato Social estabelecido entre coletividade e instituições públicas exige a participação mútua de ambos no combate à todas as mazelas da sociedade. Assim sendo, faz-se necessário a ação governamental na luta contra essas doenças durante todo o ano.
Torna-se improtelável, portanto, desconstruir problemas e propor medidas solutivas. Em vista disso, cabe às ONGs relacionadas a saúde da população, por meio de redes sociais - detentoras de grande abrangência nacional -, criarem ficções engajadas, as quais divulguem sempre as maneiras de prevenir doenças como o sífilis e a AIDS e retratem a importância das “camisinhas”, a fim de aprimorar a saúde pública brasileira segundo o pensamento de Varella, ou seja, investir mais no combate de doenças para que não seja tão necessário dedicar-se ao tratamento delas. Desse modo, conseguir-se-á retirar a “pedra no caminho” citada por Drummond e alcançar o bem comum.