O aumento de DSTs entre jovens brasileiros
Enviada em 01/08/2020
" A Lei da Ação e Reação", uma das bases da mecânica Newtoniana, define que a toda ação corresponde uma reação de mesmo módulo, direção e sentidos contrários. Esse valioso ensinamento da física clássica é perceptível no que se refere ao aumento vertiginoso no número de casos de DSTs no Brasil nos últimos anos,configurando um verdadeiro par ação e reação. O que percebemos hoje é que a sociedade, em especial os mais jovens,marcados pelo hedonismo, tomam ações inconsequentes, como a manutenção de relações sexuais sem o uso do preservativo, não atentando-se às consequências perigosas dessa ação. O aumento de DSTs entre os jovens é um grave problema de saúde pública brasileiro e caminhos devem ser tomados a fim de reverter esse quadro funesto.
Em primeiro plano, é preciso destacar que esse aumento de infectados é reflexo direto de uma cultura nefasta,ainda latente em boa parcela da sociedade brasileira,que trata sexo e sexualidade ainda como um tabu. Segundo Freud, médico e psiquiatra austríaco, em sua obra “Totem e tabu”, os tabus restringem o diálogo,impossibilitando a construção e a internalização do conhecimento. Nessa perspectiva, como nas sociedades cristãs em geral esse assunto não é abertamente falado, dificulta-se a discussão dessa temática na esfera escolar e familiar, consolidando um círculo de desinformação sobre essas doenças,seja de suas formas de prevenção, seja de suas formas de tratamento. Tal fato colabora para a disseminação e contágio dessas doenças.
Além dessa questão cultural, é imprescindível avaliar ainda que a banalização dessas doenças venéreas coopera negativamente com essa proliferação desenfreada. Isso porque, com os avanços científicos da medicina no tratamento dessas DSTs, aumentando a expectativa de vida, e minimizando alguns sintomas, houve a difusão de uma ideia equivocada de que as mesmas se tornaram menos graves ou que foram erradicadas. Essa conjuntura provocou na sociedade, em especial nos estratos mais jovens, um relaxamento com as variadas formas de prevenção e proteção durante as relações sexuais e devido a banalização dessas doenças, muitos não realizam testes para detectar HIV, por exemplo, o que provoca uma disseminação ainda maior da doença sexualmente transmissível.
Fica claro, portanto, que é necessário combater veementemente essa realidade a fim de solucionar esse quadro dramático de saúde pública brasileiro. Nessa perspectiva, as escolas, com o objetivo de formar cidadãos conscientes, devem informar e incentivar pais e alunos sobre a importância do uso dos preservativos. Isso poderia ser realizado por meio de palestras e debates nas aulas de biologia - ensinando o ciclo dessas doenças - assim também como a discussão do tema nas aulas de sociologia a fim de desconstruir esse tabu cultural.