O aumento de DSTs entre jovens brasileiros
Enviada em 01/08/2020
Policarpo Quaresma, protagonista de Lima Barreto, tem como característica mais marcante um nacionalismo ufanista, acreditando em um Brasil utópico. Entretanto, o descaso com a educação sexual torna o país ainda mais distante do imaginado pelo personagem. Nesse cenário, seja pelo crescente número no censo de doenças sexualmente transmissíveis (DST) e seja pelas demoradas mudanças da sociedade no curso do problema, acaba por afetar silenciosamente grande parte da população e exige uma reflexão urgente.
É relevante abordar, primeiramente, que as cidades brasileiras foram construídas sobre um tabu. Isso se dá porque, em épocas passadas, falar abertamente sobre relações sexuais ou a respeito da saúde do órgão genital era considerado indecente, proibido e motivo de constrangimento. Isso acabou gerando o conservadorismo, estimulando a abstinência da educação sexual, visto que, segundo dados do Ministério da Saúde, apenas 56,6% dos brasileiros de 15 a 24 anos usam preservativo durante a relação sexual. Portanto, fica claro que a falta de educação sexual e de comportamento consciente entre jovens e adultos influencia diretamente no aumento do índice de doenças sexualmente transmissíveis (DST) e a poluição do ambiente social.
No entanto —além de consequências físicas, também acarreta traumas mentais e problemas com relacionamentos sociais— dado que, os jovens desenvolvem medo e insegurança com o próprio corpo. Perante a isso, não há dúvida de que esse empecilho acabou causando um transtorno na sociedade brasileira. Portanto, presenteada à importância do uso do preservativo, a falta de conhecimento apoia o crescimento das DST e, relacionado a isso, a exposição a esse aprendizado pode ser atribuída a “Pare, pense e use camisinha”, mote da campanha do Ministério da Saúde a respeito do carnaval de 2019.
Portanto, visto os fatores acima, é necessária intervenção com o objetivo de mistificar esses entraves da sociedade contemporânea. Para que isso seja possível, o Ministério da Saúde juntamente ao Governo Federal podem continuar e expandir o movimento informatizado da população, com campanhas e palestras abertas ao público. E como segunda maior rede de televisão aberta, é necessário, se permitido, a apresentação de comerciais e propagandas educativas e informativas sobre educação sexual na Rede Globo para que haja maior engajamento e atinja o maior número de pessoas possível. Além disso, o Ministério da Educação e os pais devem inserir a discussão sobre esse tema tanto no ambiente estudantil quanto no ambiente doméstico, com o objetivo de educar crianças e jovens a desenvolver a conscientização precoce e a importância da autoproteção cotidiana.