O aumento de DSTs entre jovens brasileiros

Enviada em 02/08/2020

No filme “Cazuza”, é retratada a luta contra a Aids vivenciada pelo cantor Cazuza na década de 80. O artista teve que enfrentar inúmeras dificuldades relacionadas à sua saúde - que culminaram em sua morte - numa época em que ainda não havia muitas informações à respeito da doença. Na contemporaneidade, situações similares ainda ocorrem com muitos jovens brasileiros, que mesmo tendo acesso ao conhecimento sobre várias DSTs - tais como: Aids, Sífilis, Gonorréia, Herpes - continuam infectando-se cada vez mais. Destarte, é importante analisar o porquê isso ocorre mesmo com tantos avanços tecnológicos que possibilitam a profilaxia dessas infecções e como isso pode impactar a vida dos jovens, assim como todo o corpo social.

Primeiramente, é importante ressaltar que a ciência desenvolveu várias formas de evitar esse tipo de doença. Além das orientações profiláticas presentes em vários âmbitos, há o preservativo de latéx, que após séculos sendo produzido através de intestinos de animais, foi aprimorado na década de 40 por meio de um material mais confortável e barato, acessibilizando o produto às classes mais baixas. Todavia, há uma banalização na utilização desse método por parte do público jovem que prioriza os anticoncepcionais, preocupando-se apenas em evitar uma gravidez. Esse púbico também acreditam que, por já existir tratamentos disponíveis, não é necessário praticar um coito seguro.

Ademais, convém analisar os efeitos causados na vida dos jovens que contraem alguma dessas doenças. A Aids, por exemplo, enfraquece o sistema imune deixando o organismo susceptível à infecções de outras naturezas, expondo também o indivíduo ao preconceito ainda existente em torno desse tema, levando-o à disfunções de cunho psicológico. Conforme o conceito do sociólogo Émile Durkheim, a sociedade funciona como um “corpo biológico” por ser composta por partes que interagem entre si. Dessa forma, por efeito do aumento do número de casos, o sistema público de saúde fica sobrecarregado, gerando filas de espera e a precariedade de tratamentos disponíveis.

Dado o exposto, a fim de atenuar o quadro de jovens infectados e conscientizá-los à respeito dessas infecções, urge que o Ministério da Saúde em parceria com a imprensa, promova um diálogo modernizado específico desse público através dos canais de comunicação mais usados por eles - como Instagran, Facebook e Twitter -  com conteúdos que desconstruam os principais mitos acerca de sexo, sexualidade e modos de proteção. Esses órgãos também devem associar-se aos influenciadores digitais que possuem milhões de seguidores, e que podem usar suas redes sociais de forma positiva fazendo postagens sobre temas do gênero, para que o máximo de pessoas usuárias desses veículos sejam informadas.