O aumento de DSTs entre jovens brasileiros

Enviada em 02/08/2020

O primeiro livro da série “O Diário de um Banana” retrata uma espécie de crença, a qual corresponde à uma suposta infecção. Quem encostar no queijo podre, ou que for tocado pelo indivíduo infectado, será automaticamente rejeitado pelos colegas, até tocar na próxima pessoa. De forma análoga à situação da obra, é possível perceber o desprezo praticado com pessoas portadoras de doenças sexualmente transmissíveis (DSTs), principalmente devido a dificuldade no acesso à informações confiáveis e o não diagnóstico precoce. Assim sendo, torna-se imprescindível que o quadro atual sofra alterações e que sejam realizadas com o intuito de mitigar os impasses existentes.

Em primeira análise, vale destacar o pensamento do importante filósofo italiano, São Tomás de Aquino. Segundo ele, todo e qualquer indivíduo membro de uma sociedade democrática possui a mesma importância. Todavia, no Brasil, informações confiáveis acerca de DSTs não estão no alcance de inúmeros jovens. Em 2016, foi divulgado dados coletados pela Pesquisa de Conhecimentos, Atitudes e Práticas na População Brasileira (PCAP) e dentre o material recolhido, 21,6% dos jovens entrevistados acreditam que existe a cura para a Aids e 43,4% dos jovens não se protegeram durante o sexo casual. Esses dados revelam a falta de conhecimento dos riscos em que os jovens se expõem diariamente.

Ademais, Gabriele Falloppio, médico italiano, desenvolveu no século XVI o primeiro preservativo feito de linho, na tentativa de conter a disseminação de DSTs. Contudo, tanto nessa época como atualmente, existem indivíduos portadores das doenças que são assintomáticos, e por esse motivo não sabem que estão transmitindo tais doenças. De acordo com a PCAP, 74,8% dos jovens nunca realizaram o teste de HIV, consequentemente não executam as devidas precauções. Diante desses fatos, é perceptível o motivo pelo qual as doenças sexualmente transmissíveis são classificadas como endêmicas.

É evidente, portanto, que o Estado tome providencias para abrandar as situações atuais. Para a conscientização da população brasileira a respeito do assunto, urge que o Ministério da Educação, por meio de um projeto de lei a ser entregue à Câmara dos deputados, recomende aulas trimestrais com informações que esclareçam as causas e consequências do aumento de DSTs entre jovens brasileiros. As aulas em questão devem ser interativas e realizadas com a presença de profissionais da área da saúde. Para mais, deve ser levado em conta a idade dos estudantes, sendo abordado de forma menos chocante para alunos mais novos que não obtém informações relevantes a respeito do assunto. Espera-se, com essa medida que a realidade atual seja convertida.