O aumento de DSTs entre jovens brasileiros
Enviada em 04/08/2020
Pouco se debate, hoje em dia sobre as ISTs e DSts no contexto brasileiro principalmente entre jovens. No entanto, houve um aumento significativo dessas patologias muitas vezes por essa falta de discussão, em que a sexualidade ainda é tratada como tabu, heteronormativa e falocêntrica junto a banalização dessas pelos jovens, por ser algo tão comum. Portanto, são necessárias ações coordenadas entre sociedade e Estado para futura resolução dessa problemática bastante preocupante.
Decerto, a educação sexual brasileira tem foco em relações heteroafetivas e deixa a desejar nas outras possibilidades, como por exemplo a prevenção em uma relação sexual entre duas mulheres ou dois homens. Além disso, as famílias ainda têm resistência no que diz respeito a discutir e orientar seus filhos sobre o assunto. Contudo, a informação é essencial para que pessoas criem consciência dos riscos que algumas atitudes podem gerar como mostrou o Ministério da Saúde que revelou que mais de 50 mil jovens foram infectados por algum tipo de infecção sexualmente transmissível em 2019, o que carece de maior envolvimento das instituições formadoras do cidadão -escola e família- no assunto.
Ademais, pela falta de medo e preocupação por parte dos jovens a banalização das ISTs e DSTs é evidente. O livro “Depois Daquela Viagem” da autora Valéria Piassa relata sua vida e os obstáculos enfrentados pela mesma ao contrair a Aids e ter medo da repulsão que poderia sofrer. Bem como na obra, o preconceito para com essas doenças ainda é grande e a maioria dos jovens que contraem alguma patologia devido ao contato sexual ainda têm vergonha e receio de contar para amigos ou familiares assim como Valéria teve. Sendo assim, a queda do uso de métodos contraceptivos acarretada pela pouca discussão do assunto é evidente e esse tabu precisa ser rompido pela união entre sociedade e Estado.
Diante disso, é necessário promover uma maior campanha de conscientização da prevenção sexual - por parte do Ministério da Saúde e Educação - por meio de propagandas e palestras que também estimulem a discussão no ambiente familiar onde o público alvo sejam os jovens e de uma maneira aberta a todas as identidades de gênero e orientações sexuais. Não só isso como também instituições escolares em parceria com o Estado devem incluir a disciplina Educação Sexual ministrada por psicólogos, sexólogos e professores da área da saúde ao invés de discutir por alto em aulas de biologia como é feito na maioria das escolas. Dessa forma, em longo prazo, a educação sexual deixará de ser um tabu e jovens passarão e se prevenir da forma adequada discutindo sobre o assunto diferente da Valéria e outros inúmeros jovens.