O aumento de DSTs entre jovens brasileiros
Enviada em 04/08/2020
Incentivo inexistente
A obra contemporânea “Ensaio sobre a cegueira” do português José Saramago apresenta o cenário desolador resultante do excesso de individualismo no mundo através da simbologia da perda de visão. Dessa forma, o aumento de casos de DSTs entre jovens representa nitidamente como a sociedade escolhe não perceber a gravidade crescente da questão no Brasil. Assim, faz-se necessário analisar como o descumprimento da garantia dos direitos do cidadão e imposições moralistas acerca da questão influenciam na permanência dessa névoa que encobre os olhos de tantos hodiernamente.
A priori, a Constituição cidadã de 1988 garante o acesso integral e universal ao Sistema Único de Saúde (SUS) para qualquer indivíduo no país. Nessa lógica, é notável que o poder público não cumpre seu papel enquanto agente fornecedor de investimentos na área da saúde, uma vez que não estimula melhorias na sua estrutura. A lamentável condição de vulnerabilidade à qual são submetidos os indivíduos de pouco poder aquisitivo é percebida na pesquisa realizada pelo Ministério da Saúde, que afirma que aproximadamente 217 mil brasileiros possuem o vírus HIV. Desse modo, a parte desprivilegiada da população torna-se a principal vítima das Doenças Sexualmente Transmissíveis, já que não há um fornecimento eficaz de métodos de prevenção e, principalmente, conhecimento.
Outrossim, relações sexuais permanecem vistas como impuras pelo imaginário popular devido a influências externas. O sociólogo francês Michel Foucault definiu através da ideia de “Dispositivos de controle” que a era moderna é caracterizada pela dominação que tem como objetivo domesticar o comportamento humano. Nesse viés, a sociedade, influenciada pela família e instituições de ensino, banaliza questões relacionadas à transmissão de DSTS, visto que há a imposição de paradigmas acerca do portador da doença. Dessa forma, ações que banalizam essa problemática advêm na criação de um tabu que diminui a visibilidade daqueles que precisam de ajuda.
Em suma, é de extrema importância a ampliação de discussões voltadas ao combate de DSTs no Brasil. Para tanto, é mister que o Poder Executivo garanta o funcionamento eficaz do SUS através da fiscalização daquilo que é fornecido na saúde pública, com o fito de evitar a má administração dos investimentos. Concomitantemente, o Estado poderia intensificar campanhas publicitárias que estimulem a realização de testes e a prevenção de tais doenças, a enfatizar a necessidade da conscientização. Apenas desse modo essa questão poderá ser vista com clareza pelos olhos do cidadão brasileiro.