O aumento de DSTs entre jovens brasileiros

Enviada em 05/08/2020

No Livro “Depois Daquela Viagem”, a autora Valéria Piassi descreve como foi infectada pelo vírus HIV, relatando as mudanças que ocorreram em sua vida e sua determinação para enfrentar essa nova realidade.De modo análogo à realidade,no Brasil,observa-se picos dramáticos de DSTs entre os jovens.Embora essa temática possua tamanha notoriedade,existem obstáculos para promover o enfrentamento dessa epidemia no país,como a vulnerabilidade da educação sexual, como também a crônica ineficiência do Estado em garantir saúde aos brasileiros.

Em primeiro plano,é evidente que a herança ideológica da educação sexual,como um tabu, conservou-se na sociedade e perpetuou a desinformação entre os jovens.De acordo com o Ministério da Saúde,seis em cada dez adolescentes não usaram preservativo em alguma relação sexual no último ano. Nesse sentido,observa-se que a falta de conhecimento em relação ao sexo seguro na adolescência, deve-se ao fato da sociedade tratar a discussão com uma certa censura, que ainda é permeado de princípios morais e preconceituosos em pleno séc.XXI, dessa forma, facilitando a exposição de jovens situações de riscos,como gravidez indesejada,contágio de ISTs e traumas psicológicos e emocionais, resultantes da vivência de uma sexualidade frustrante.

Além disso,inaplicabilidade do Estado em aplicar ações de promoção à saúde sexual,vem por dificultar o processo de reconhecimento e tratamento das DSTs na juventude.Nesse sentido segundo o Contrato Social-proposto pelo contratualista John Locke,cabe ao Estado fornecer medidas que garantam o bem-estar coletivo.Contudo,constata-se que existe uma certa deficiência em ações eficazes,tanto por a falta de atendimento adequado,quanto pela escassez de medicamentos.Da mesma forma,as campanhas de prevenção do governo tendem a ser antiquadas e sem aprofundamentos ,causando assim dúvidas entre os jovens sobre a importância de se prevenirem.Desse modo,a maioria dos adolescentes terminam sofrendo graves consequências com a evolução da doença.

Verifica-se,então, que esse fenômeno social deixou de ter uma posição de destaque no Brasil.Para resolver tal obstáculo,cabe ao Ministério da Educação o papel de desmistificar os conhecimentos acerca da sexualidade,por meio da inserção na grade curricular das instituições de ensino conteúdos relacionados à saúde sexual.Outrossim,o Ministério da Saúde deverá investir em campanhas publicitárias criativas e inovadoras na internet,promovendo aos jovens um enfoque diferenciado, numa perspectiva de valorização do autocuidado e da vida, capaz de trazer o tema DSTs ao dia a dia.