O aumento de DSTs entre jovens brasileiros

Enviada em 05/08/2020

Em trechos de músicas como “Meu prazer agora é risco de vida”, Cazuza, cantor rebelde, polêmico e principalmente revolucionário, declarou em mídia ser soropositivo e enfatizou a importância da discussão quanto às doenças sexualmente transmissíveis (DSTs) no Brasil. O artista vivenciou um momento, chamado pela OMS de “epidemia global”, durante os anos 80 e trouxe a necessidade da discussão da problemática questão de saúde pública. Hodiernamente, todavia, o Estado e a sociedade têm banalizado essas doenças e seus tratamentos, principalmente por conta dos tabus que cercam a sexualidade no país.

Em primeira análise, vale destacar que a sexualidade é um tabu social, portanto impede o diálogo aberto e relevantes discussões entre famílias e no ambiente escolar. Uma vez que esse assunto é evitado, não há promoção da saúde e da educação relacionada às DSTs e às infecções sexualmente transmissíveis (ISTs). Consequentemente, por conta da falta de informação, há maior número de infectados e portadores de doenças como HIV/AIDS, Sífilis e Gonorreia. Evidencia-se, portanto, que o aumento da ocorrência de tais doenças está estritamente relacionado com a falta de debate e conscientização da população sobre o assunto.

Como consequência dessa desinformação social e falta de discussão, há certa banalização, principalmente pelos jovens, quanto às doenças e infecções. Aqueles que não viveram durante o surto vivenciado e retratado por Cazuza, não dão tanta importância para doenças que atualmente já existem medicamentos. Nesse sentido, visto que DSTs e ISTs são considerados tabus e a sociedade não dá devida importância, há negligência por parte do Estado, que não promove campanhas e políticas por medo da insatisfação popular.

Portanto, fica evidente a importância do debate e da “quebra” do tabu da sexualidade para evitar essa problemática questão de saúde pública. Nesse âmbito, cabe ao Ministério da Saúde, juntamente ao da Educação, promover debates quanto à educação sexual em instituições de ensino, por meio de palestras - que deverão ser acessíveis não só para estudantes, mas para os responsáveis - com profissionais da saúde. Tudo isso, a fim de evitar situações de contaminações por desinformação e falta de apoio familiar. Desse modo, aqueles que não vivenciaram os anos 80, terão consciência do quão nocivo pode ser a falta de consciência em relações sexuais.