O aumento de DSTs entre jovens brasileiros

Enviada em 12/08/2020

Durante a década de 1980, a epidemia de AIDS, doença sexualmente transmissível (DST) até então desconhecida, causou enorme conscientização a respeito do uso de preservativos. Hoje em dia, no entanto, os inegáveis avanços da medicina no tratamento e profilaxia dessas enfermidades fazem com que as novas gerações subestimem os riscos do sexo sem proteção. Assim, a convergência de um Estado que não cumpre com sua obrigação de fornecer educação pública de qualidade e de uma juventude muitas vezes inconsequente resulta em aumento exponencial dos casos de DSTs.

Primeiramente, ressalta-se que a educação sexual, que busca esclarecer concepções errôneas e instruir os estudantes sobre sexualidade, ainda é tabu no Brasil. Prova disso é que, na Lei de Diretrizes e Bases da Educação, sancionada em 1996, não consta nenhuma orientação sobre o tema. Outrossim, desorientados e sem acesso à informação, não é nenhuma surpresa que os adolescentes tenham relações sexuais sem o devido cuidado.

Da mesma forma, vale lembrar que o diálogo familiar a respeito do assunto também é bastante deficitário. De acordo com dados da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo de 2017, apenas 35% dos pais questionados relataram conversar com seus filhos sobre sexo seguro e uso de preservativos. Assim, além de não encontrarem apoio e amparo nas escolas, os jovens tampouco o encontram na família.

Diante de tudo isso, fica evidente que é estupidez ignorar-se que, como dizia o psicanalista Sigmond Freud, “o desenvolvimento humano é determinado pela sexualidade”. Destarte, cabe aos legisladores propor, a partir de projetos de lei, a adição de educação sexual à Lei de Bases e Diretrizes da Educação. Isso fará com que os estudantes encontrem na escola um ambiente compreensivo e acolhedor. Ademais, é tarefa de instituições como igrejas e universidades a realização de palestras para famílias, ministradas por médicos e pedagogos, acerca da importância do diálogo aberto sobre sexo, o que ajudará a diminuir o tabu que existe sobre o tema. Tais atitudes permitirão que as pandemias de AIDS e demais DSTs fiquem, finalmente, no passado.