O aumento de DSTs entre jovens brasileiros
Enviada em 21/08/2020
Francis Bacon, em sua obra “Nova Atlântida”, idealizou uma cidade na qual todos os habitantes teriam acesso à saúde de qualidade, como, também, a espaços destinados à busca da racionalidade. Todavia, levando em consideração o atual cenário brasileiro, é perceptível um processo retrógrado ao idealizado, haja vista o aumento de infecções sexualmente transmissíveis - IST’S - entre os jovens na nação, o qual impede o desenvolvimento social saudável, motivado pelo baixo investimento efetivo. Além disso, convém analisarmos como o patriarcado influencia na prevalência desse perigo vigente.
Primeiramente, cabe ressaltar que a majoritária ausência de políticas públicas efetivas tem um efeito negativo na possibilidade da diminuição dos casos de IST’s entre os jovens, posto que há uma certa dificuldade dos programas de prevenção em atingir todas as camadas sociais, o que afasta bons investimentos diante do alto custo da efetivação da tal ação. Segundo o Instituto Brasileiro de Saúde, o índice de infecções sexuais entre os jovens teve um aumento de, aproximadamente, 25%. Diante disso, evidencia-se que as tendências capitalistas, focadas no alto lucro, torna a sociedade, intrinsecamente, refém de uma triste realidade, na qual esses indivíduos estão vulneráveis às diversas enfermidades, as quais podem afetar a saúde física e mental, bem como causar o colapso do sistema de saúde.
Em segundo plano, vale destacar que, mesmo certos programas atingindo uma grande massa social, a cultura patriarcal, moldada por princípios machistas que promovem a banalização das doenças, proporciona, diretamente, a perpetuação das infecções. No livro Casa Grande e Senzala, de Gilberto Freyre, por exemplo, é exposto a visão de que o sífilis, durante o período colonial, era o atestado de entrada no mundo adulto. Embora essa visão tenha sido menosprezada, outras para definir masculinidade prevalecem hodiernamente, como realizar práticas sexuais sem o uso de preservativos e com o maior números de pessoas. Dessa forma, evidencia-se que, enquanto não houver uma educação sexual, os princípios androcêntricos continuarão dificultando o fim da problemática.
Depreende-se, portanto, a urgência da diminuição de IST’S entre os jovens brasileiros. Sendo assim, as escolas devem promover aos discentes e responsáveis, por meio de palestras e aulas lúdicas, orientações a respeito da necessidade do uso de preservativos e tratamento das infecções a fim de que toda a comunidade obtenha consciência da importância de tais medidas para diminuir a vulnerabilidade dos jovens às variadas patologias. Essa medida será concretizada com o apoio de especialistas em prevenções ao explicar as vantagens do autocuidado e as drásticas consequências ao não realizar tal prática. Ademais, é relevante a existência de centros de tratamento e assistência aos enfermos em áreas desfavorecidas para que, assim, um cenário semelhante ao de Nova Atlântida seja construído.