O aumento de DSTs entre jovens brasileiros
Enviada em 15/08/2020
Gonorreia. Clamídia. Sífilis. AIDS. Diversas são as doenças e infecções que acometem os jovens a partir de uma conduta sexual pouco segura. É incoerente que, no contexto hodierno de um mundo globalizado, com o crescimento do acesso à informação, tecnologia e leis que garantam o acesso à saúde, os casos de doenças sexualmente transmissíveis continuem a crescer no Brasil. Para propor soluções a esse empecilho, é de extrema importância analisar suas raízes. São essas: a negligência governamental e social no que tange ao tema.
Primordialmente, cabe-se evidenciar que tal desavença deve-se à falhas na questão legal e sua aplicação, tendo em conta que, embora a Constituição Federal de 1988, norma de maior hierarquia no sistema jurídico brasileiro, certifica o direito à saúde, a ineficiência do estado em garantir campanhas de prevenção efetivas, voltadas para os jovens, ratifica o inverso. Essa conjuntura, segundo as teorias do filósofo John Locke, representa um descumprimento do “Contrato Social”, já que o Estado não cumpre seu papel de garantir que os cidadãos gozem de direitos imprescindíveis - como o direito a saúde- para a manutenção da isonomia entre os membros da sociedade. Destarte, ações de preconceito e exclusão contra indivíduos portadores de DST’s e sua integridade continuam a ocorrer no presente.
Outrossim, é necessário verificar a desinformação de parte dos jovens acerca de sexo e sexualidade. Acontece que, é complexo para algumas famílias e escolas discutirem essa questão, visto que, no Brasil, esta se configura um tabu. Esse fato vai de encontro à concepção da filósofa Simone de Beauvoir, de que “cada um de nós é responsável por tudo e por todos os seres humanos” à medida que passa a permitir a perpetuação de mitos e dúvidas entre os jovens, e, consequentemente, colaborar para o aumento das DST’s no Brasil. Além disso, com o surgimento das pílulas anticoncepcionais, os jovens deixaram de se preocupar com a utilização, por exemplo, da camisinha, que impede não somente a gravidez, mas também a contração dessas enfermidades.
Portanto, é mister que o Estado tome providências para superar o impasse. Dessa forma, urge que o Ministério da Saúde crie campanhas midiáticas voltadas para esse público, por meio da contratação de influenciadores digitais, contando com canais de comunicação e linguagem específicos para o alcance e conscientização do público jovem quanto ao aumento e controle das IST’s e DST’s. Além disso, cabe as ONGs desconstruírem mitos a cerca do sexo e sexualidade e alertá-los a respeito de métodos de proteção e dos riscos aos quais estão expostos, através da promoção de cursos e palestras com profissionais da área, a fim de sanar todas as suas dúvidas. Assim, as tecnologias atuais poderão ser utilizadas para garantir a saúde e o futuro da população.