O aumento de DSTs entre jovens brasileiros

Enviada em 19/08/2020

Durante o século XVI, o médico italiano Gabriele Falloppio foi responsável pelo desenvolvimento do primeiro preservativo. Composto por um invólucro de linho, foi criado para prevenir a propagação de doenças sexualmente transmissíveis como a sífilis, muito comum na época. No Brasil contemporâneo, o Ministério da Saúde divulgou o aumento do número de casos de sífilis adquirida: em 2010, haviam 2 casos a cada 100mil habitantes, evoluindo para 58,1 em 2018. Inúmeros avanços tecnológicos separam os dois períodos históricos, porém uma certeza permanece: o combate a essa e outras DST’s ainda representa um grande desafio no Brasil. Em virtude disso, se faz cada vez mais necessária uma intervenção estatal  efetiva, que tenha como alvo o grupo mais afetado por essas doenças: os jovens.

Em primeiro plano, é essencial destacar o principal culpado pelo aumento da incidência de DST’s entre a população jovem: o Estado. As campanhas preventivas realizadas pelos governos acumulam uma série de falhas: desde a linguagem que não condiz com o público-alvo, até a baixa incidência de conscientização sobre doenças menos frequentes, levando à banalização do uso de métodos preventivos pelos jovens e ao aumento de casos - como ocorreu com a sífilis em 2018.

Por conseguinte, as pessoas infectadas contribuem para um “efeito dominó” de ordem social. Ao contrair uma DST, o jovem afetado está exposto aos riscos de sofrer danos físicos na fase prematura de sua vida, além de transtornos psicológicos, que podem se desenvolver devido ao preconceito que os infectados enfrentam. Tudo isso contribui para o aumento da pressão sobre o Sistema Público de Saúde, levando o Governo a arcar com mais despesas, evitáveis com a correção das falhas já citadas.

Torna-se evidente, portanto, que é papel do Estado agir preventivamente para impedir que as doenças sexualmente transmissíveis impactem negativamente a vida de milhares de jovens. Essa ação deve ocorrer por meio de uma parceria entre o Ministério da Educação e as escolas, públicas e privadas, de todo o país. O órgão público deve estabelecer, no Plano Nacional de Educação, uma meta determinando que 90% das escolas tenham educação sexual na grade curricular. As instituições de ensino devem promover aulas, palestras e campanhas, com linguagem acessível aos jovens, permitindo a ampliação da obtenção de informações acerca de DST’s, bem como dos métodos de prevenção. Dessa forma, temas referentes a sexo e sexualidade se tornarão cotidianos cada vez mais cedo, aproximando o Brasil da democratização do acesso à informação, e afastando-se assim, da mentalidade conservadora e prejudicial que regia sociedades como a do anatomista Falloppio em séculos passados.