O aumento de DSTs entre jovens brasileiros

Enviada em 18/08/2020

No filme “Cazuza”, é retratada a distopia vivenciada pelo cantor homônimo infectado pela AIDS na década de 80. Hodiernamente, no entanto, cada vez mais jovens brasileiros contraem doenças sexualmente transmissíveis (DSTs). Esse quadro advém sobretudo da desinformação e do preconceito.

Em primeiro plano, a educação sexual no país é incipiente. Com efeito, a desinformação prevalece entre os jovens, dificultando sua mudança comportamental no combate às DSTs. E, embora a Constituição Federal garanta o direito à educação a todos e determine o Estado laico, na prática, ainda se trata a educação sexual sob um viés religioso, o que configura anomia constitucional. Nessa linha, o auto G. Dimenstein, em sua obra “O Cidadão de Papel”, revela essa disfunção estatal brasileira, dada a inaplicabilidade da lei.

Ademais, a questão das DSTs é vista pelo prisma do preconceito social, o qual as atribui ao grupo LGBT. Por exemplo, frases como “AIDS é coisa de gay”, eximindo-se da auto responsabilização, não são raras de serem ouvidas. À vista disso, além das alarmantes consequências fisiológicas, os infectados são vítimas da discriminação social travestida de brincadeira, como aquelas praticadas a Cazuza. Configurando, desse modo uma agressão psicológica aos portadores de DSTs. Esse fato social dotado de exterioridade, coercitividade e generalidade deve ser superado.

Portanto, medidas concretas para solução da problemática são necessárias. Assim, para expansão da educação sexual, o Ministério da Educação deve exigir a exposição de aulas interdisciplinares sobre o tema, por meio de inclusão na Base Nacional Comum Curricular (BNCC), a fim de conscientizar os jovens dos riscos e métodos de prevenção contra as DSTs. Por sua vez, as ONGs de saúde têm que promover campanhas, palestras e cursos nas unidades de saúde, visando combater o preconceito contra infectados. Dessarte, o país mitigará essa distopia duradoura.