O aumento de DSTs entre jovens brasileiros

Enviada em 25/08/2020

Na mitologia grega, Cassandra é uma sacerdotisa com o dom de ver o futuro, mas vítima de uma maldição que faz com que ninguém acredite em suas profecias. Na contemporaneidade, muitos médicos têm alertado a sociedade dos riscos que o sexo sem proteção pode trazer. No entanto, como Cassandras modernas, seus avisos são ignorados e, como consequência, ocorre o aumento das doenças sexualmente transmissíveis entre os jovens brasileiros. Nesse sentido, convém analisar a falta de diálogo sobre sexualidade e a omissão do governo como pilares fundamentais da problemática.

A princípio, é fulcral pontuar que, o fato das relações sexuais serem tratadas como tabu pela sociedade, faz com que o problema perpetue. Consoante ao pensador Durkheim, o fato social é uma maneira coletiva de agir e de pensar, dotada de exterioridade, generalidade e coercitividade. Seguindo essa linha de pensamento, constata-se que grande parte das famílias não conversam sobre sexualidade com os filhos devido a uma cultura de evitar esse assunto no âmbito familiar, gerando assim, uma repressão seuxual. Dessa forma, os jovens entram na fase sexualmente ativa sem esclarecimento do risco que a relação sexual sem proteção pode trazer para sua saúde e de outras pessoas.

Outrossim, vale ainda ressaltar a negligência do governo, diante do aumento dos casos de doenças sexualmente transmissíveis, como impulsionador do problema. De acordo com o sociólogo Aristóteles, a política deve ser utilizada de modo que, por meio da justiça, o equilíbrio seja alcançado na sociedade. De maneira análoga, é possível perceber que a falta de medidas dos setores governamentais para diminuir os casos de infecção por DSTs no país, rompe essa harmonia, uma vez que a saúde pública é responsabilidade do Estado. Desse modo, a falta da divulgação dos altos números de infectados somada a falta de campanhas contra esses tipos de doenças, como era na década de 90, faz com que se crie uma ilusória sensação de segurança e contribui para que o sexo sem proteção continue sendo banalizado pelos jovens.

Infere-se, portanto, que iniciativas são necessárias para os casos de infecções no ato sexual sejam reduzidos. Logo, a escola, com seu poder transformador, deve criar debates entre os alunos e os pais, por meio de palestras ministradas por profissionais da área da saúde, a fim de desmistificar esse assunto entre eles e conscientizá-los da importância de se protegerem no ato do sexo. Ademais, o governo federal deve promover campanhas através das mídias,como televisões e rádios, com o intuito de voltar a atenção das pessoas para essas doenças e mostrá-las que só estarão seguras de fato se usarem proteção.