O aumento de DSTs entre jovens brasileiros

Enviada em 15/09/2020

Na segunda temporada da série original da Netflix, “Sex Education”, a escola atravessou por um surto de clamídea, uma das doenças sexualmente transmissíveis (DST) mais comuns da atualidade. Apesar de ser uma obra fictícia, a série aborda diversos temas importantes para a saúde sexual do jovem moderno, mas também critica como a desinformação pode potencializar a disseminação dessas doenças. O Brasil hodierno carece de políticas públicas para educação sexual juvenil e a mídia não tem feito um trabalho pertinente para orientar esses.

Sob essa perspectiva, o Ministério da Saúde afirma que quase 140 mil brasileiros possuem HIV e não sabem, o que facilita a propagação do vírus mortal da Aids. A falta de educação sexual nas escolas é o principal responsável pelo crescente número de contaminados, pois, sem uma conscientização adequada, o jovem depende da própria sorte. O papel fundamental da educação é esclarecer sobre a gravidade das DSTs na saúde pública e métodos para evitá-las. Vale salientar que houve um surto de Aids na década de 80 em todo o mundo, doença que levou a óbito diversos jovens artistas e, caso não haja mudança no ensino brasileiro, a frase do filósofo George Santayana pode ser aplicada com precisão: “aqueles que não conseguem lembrar do passado, estão condenados a repeti-lo”.

Ademais, a mídia não tem contribuído para a extinção da filosofia niilista de banalização do sexo desprotegido entre os jovens. Baseando-se nos fatos de que os jovens vivem uma fase de descobertas e amadurecimento do córtex pré-frontal, eles se vulnerabilizam a maiores perigos por uma vida sexual mais intensa. Estes têm mais relacionamentos com um número maior de pessoas, portanto, maior perigo de adquirirem DSTs. No entanto, a mídia não propaga os riscos, mas sim o prazer imediato de uma relação sexual sem preservativo, o que pode influenciar negativamente a adolescência brasileira.

Em síntese, cabe ao Ministério da Educação instruir instituições de ensino, como escolas e universidades, organizar palestras com o auxílio de sexólogos e psicólogos, com o objetivo de orientar e instruir sobre vida sexual e seus riscos aos jovens. Ademais, a secretaria de Saúde deve aumentar políticas de distribuição de camisinhas femininas e masculinas, que é a principal forma de prevenção contra DSTs, principalmente em datas comemorativas como o carnaval. A mídia deve se aliar a linguagens e redes sociais famosas afim de divulgar meios sobre prevenção e cuidado da saúde, atingindo adultos e, em especial, o público jovem, impedindo que tais infecções conquistem um maior número de brasileiros. É preciso debater sobre o assunto e adolescentes devem ser educados cientificamente sobre esse, deixando o surto de clamídea apenas na ficção de Sex Education.