O aumento de DSTs entre jovens brasileiros
Enviada em 20/09/2020
Infertilidade, impotência, partos prematuros, fetos mortos, bebês infectados, câncer, gastos com medicamentos. Esses são alguns problemas decorrentes das DSTs (Doença sexualmente transmissível) e ISTs (Infecção sexualmente transmissível). Ambas são facilmente prevenidas com o uso da camisinha, são tratadas com medicamentos produzidos no Brasil, e diagnosticadas através de teste rápido disponibilizado gratuitamente em todo país. Contudo, o diagnóstico tardio tem aumentado o risco de transmissão e também de óbitos, devido ao preconceito envolto as DSTs, que consequentemente faz um possível infectado hesitar em realizar o teste para comprovar a infecção.
Primeiramente, de acordo com a epidemiologista da OMS Melaine Taylor, as DSTs estão associadas a estigmas, à vergonha. Com isso muitos evitam realizar o exame por receio de ser estereotipado e excluído devido ao preconceito, apenas por fazer o teste. Em consonância com este pensamento, Teodora Wi, integrante do Departamento de Saúde Reprodutiva e Pesquisa da OMS, afirmou que continuamos estigmatizando as pessoas que vivem com elas (as DSTs), indo contra o que está no artigo quinto da constituição - “todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza”. Compreende-se que o preconceito não só exclui, como pode ser um auxiliador no aumento de casos, pois sem constatar a doença não tem como tratar.
Segundo, vale ressaltar que o diagnóstico precoce e o tratamento são estratégias importantes de prevenção, tanto quanto o uso da camisinha. “Quando você trata um paciente, está quebrando a cadeia epidemiológica e pode estar prevenindo outras 10 infecções”, diz a infectologista Lucy Vasconcelos, membro da diretoria da Sociedade Paulista de Infectologia. Porém, a falta de informação sobre quando, como e onde podem realizar os testes rápido, somado com a banalização e preconceito atrasam o diagnóstico, acarretando em um maior tempo usando medicamentos e mais pessoas são infectadas.
Dessa forma, para que o diagnóstico tardio não seja mais um empecilho no combate as DSTs, é necessário que o Departamento de Infecções Sexualmente Transmissíveis, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde promova campanhas intituladas “quebrando o gelo”, aonde será disponibilizado testes rápido de DSTs nas festas, nas escolas e praças públicas, aconselhamento e informações sobre como, quando e onde devem ir para fazer os exames e tratamento da enfermidade. Assim as pessoas terão um acolhimento mais humano e igualitário, tirando a vergonha e quebrando o tabu que congela muitos frente à possível descoberta. Obedecendo assim, o artigo 5º da constituição (“Todos são iguais”).