O aumento de DSTs entre jovens brasileiros

Enviada em 28/09/2020

O combate às doenças sexualmente transmissíveis se tornou um dos focos do SUS, em especial após a pandemia de HIV, que ocorreu no década de 90. O Brasil é um exemplo mundial no tratamento dessas moléstias, vide a gratuidade das terapias oferecidas pelo Governo. Contudo, práticas profiláticas como o uso de preservativos e testes sorológicos periódicos, ainda são neglicenciadas pela parcela mais jovem do país, impactando de forma direta no aumento do número diagnósticos de DST’s entre os mesmos.

Evidentemente, essa atitude irresponsável é um reflexo da precarização do diálogo sobre sexualidade com o público adolescente, o que o aliena à compreensão das diversas facetas sobre o assunto. Por ser considerado um tabu, o sexo acaba sendo reduzido à um discurso moralizante por parte dos familiares, que foca no incentivo ao celibato em detrimento de uma instrução sobre a importância de uma prática sexual segura. Diversas são as motivações para essa postura, como a reprodução de ideologias fundamentalistas, dogmatismo religioso, e a própria ignorância sobre o tema, reduzindo-o à vulgaridade e imoralidade.

Tal ideologia, acaba se infiltrando nos ambientes escolares, impedindo uma abordagem didática e efetiva sobre a questão. Com isso, a ignorância relacionada a esse conteúdo acaba se tornando um padrão cultural, agravando-se com a a banalização da sexualidade existente nas principais mídias de consumo do público jovem, como filmes, músicas e redes sociais. Dessa forma, a desinformação se torna um dos agentes endêmicos para a transmissão de doenças, fazendo com que práticas preventivas simples sejam ignoradas, lidando com estas de forma tão banal quanto tratam a questão do sexo.

Logo, é fundamental uma parceria entre os Ministérios da Saúde e da Educação, desenvolvendo para os estudantes cartilhas instrucionais sobre as principais doenças sexualmente transmissíveis, com a promoção desse material em eventos pedagógicos nas Unidades de Saúde Básica. Cabe também ao MEC instituir a obrigatoriedade da educação sexual no currículo do ensino médio, organizando-a  como uma matéria interdisciplinar que englobe biologia, sociologia e história. Como complemento, deve-se produzir campanhas e materiais que visam a instrução familiar, com o objetivo de desconstruir d preconceitos existentes sobre o assunto e incitar o diálogo entre pais e filhos. Assim, o combate a essas doenças ocorre com máxima eficácia, utilizando a educação como uma de suas principais ferramentas.