O aumento de DSTs entre jovens brasileiros
Enviada em 01/10/2020
O fantasma do vírus HIV que assombrou o Brasil e o mundo na década de 1980, de fato, gerou comoção e medidas para se combatê-lo, concomitantemente com outras doenças venéreas. No entanto, após 40 anos, o cenário é diferente e alarmante: os brasileiros se previnem cada vez menos e consequentemente se infectam cada vez mais, sobretudo quando se trata da população mais jovem. Nesse sentido, cabe se discutir as razões e os impactos do crescente registro de DSTs no contexto nacional.
Em primeiro plano, vale ressaltar que essa é uma questão de saúde pública. Apesar de que, em tese, o governo faz sua parte, disponibilizando - segundo dados do próprio - mais de 500 milhões de preservativos e lubrificantes por ano, a realidade é outra. De acordo com dados de 2013 da Pesquisa de Conhecimentos, Atitudes e Práticas na População Brasileira (PCAP), 60% dos jovens entre 15 e 24 anos admitiram ter relações sexuais sem camisinha. Isso aponta que apenas essa distribuição do Governo não está sendo efetiva, é necessário incentivo.
Esse quadro se deve ao fato de não existir uma conscientização acerca da importância do uso de preservativos: há falta de informação. Segundo o mesmo estudo da PCAP 21,4% dos entrevistados também não tinham conhecimento de que não há cura para a AIDS, além da falta de noção dos perigos de outras infecções. Esse fato demonstra não só uma falha do sistema educacional de base do Brasil, mas também uma falha do ministério da saúde ao dialogar com a população, especialmente ao se tratar dos mais jovens. E, de certa forma também explica a despreocupação na questão da prevenção por parte desse público.
Nesse contexto, urge, portanto, a necessidade de uma ação conjunta entre o Ministério da Saúde e a Secretaria Especial de Comunicação do Governo Federal (Secom). De modo a educar os jovens do país acerca da importância do uso de preservativos. Isso pode ser feito por meio de propagandas mais dinâmicas, que possuam como porta-vozes, influenciadores digitais, que naturalmente já conversem com essa faixa etária. Para que, dessa forma, os jovens fiquem mais atentos, e as taxas de proliferação se reduzam, assim garantindo a saúde da população. Seria interessante também que o Ministério da Educação, estudasse a possibilidade da implementação do ensino de educação sexual nas escolas. Adequando, é claro, a didática e os conteúdos a cada série escolar. Dessa maneira, maximizando o trabalho de conscientização.