O aumento de DSTs entre jovens brasileiros
Enviada em 15/01/2021
Em sua obra de ficção ‘‘Nove Noites’’, Bernardo Carvalho expõe a história de Buell Quain, antropólogo que contrai sífilis no Rio de Janeiro do século XIX ao ter relações com uma enfermeira. No entanto, tal realidade não se restringiu a tal período, já que a propagação de infecções sexualmente transmissíveis, as ISTs ou DSTs, ainda figura como grave problema no Brasil, sobretudo entre os jovens. Nesse sentido, seja causada pela desinformação, seja pela ilusão de que tais doenças são inofensivas, a propagação das DSTs entre os mais novos deve ser combatida.
Nessa perspectiva, a falta de conhecimentos dos jovens sobre a transmissão e a prevenção de infecções sexualmente transmissíveis corrobora a problemática do aumento dessas doenças. Nesse sentido, o filósofo Immanuel Kant desenvolveu o conceito de minoridade, segundo o qual as pessoas com menor grau de instrução em determinado assunto permanecem ignorantes e dependentes do auxílio de outros, e, tornam-se, assim, vulneráveis. Nesse viés, a desinformação sobre as ISTs e sua prevenção representa grave entrave para a libertação dos jovens da mazela de tais infecções, já que, sem conhecimento sobre essas, não se previnem e ficam sob risco de contaminação. É incoerente, destarte, que a falta da educação, que deveria a base do Estado Democrático de Direito, exponha garotos e garotas a problemas de saúde.
Ademais, a falsa impressão de baixa gravidade das DSTs implica, no imaginário dos jovens, que não há necessidade de se proteger contra tais doenças, o que é incorreto. Nesse seguimento, a AIDS, o HPV e a sífilis configuram-se como doenças graves, as quais são sexualmente transmissíveis e podem causar, no caso do HPV, câncer de colo de útero e, no caso da AIDS, deficiência imunológica permanente, que não possui cura, apenas tratamento. Dessa forma, é imprudente que infecções de alta gravidade sejam negligenciadas pelos jovens, os quais deveriam preocupar-se e fazer uso de medidas preventivas, como o uso de preservativos. Deve-se, então, investir na educação, para que os mais novos estejam cientes dos riscos que correm e dos cuidados necessários à prevenção.
Portanto, para solucionar a problemática das DSTs, urge que o Ministério da Saúde, em parceria com as escolas, promova o conhecimento sobre a gravidade das ISTs e como prevenir-se dessas, a fim de reduzir sua incidência entre os jovens. Isso poderia ser feito por meio de aulas de biologia, palestras e oficinas que mostrem os sintomas, sequelas e forma de prevenção das doenças sexuais, além de reforçar a necessidade do uso de preservativos em todas as relações. Desse modo, poder-se-á mitigar o aumento das DSTs entre garotos e garotas, de modo que o vivenciado na ficção por Quain não se repita na realidade.