O aumento de DSTs entre jovens brasileiros
Enviada em 18/10/2020
O médico francês Gabriele Falloppio, no século XVI, já recomendava aos seus pacientes a utilização de sacos de linho como forma de se proteger contra a sífilis. No entanto, apesar da evolução dos preservativos é notório que, hodiernamente, os brasileiros não têm feito o seu uso adequado, visto que observa-se o aumento das DST’s entre os jovens, situação maléfica para a sociedade. Logo, é válido pontuar a banalização do uso dos preservativos, bem como o déficit educacional como agravantes desse infortúnio.
Em primeiro plano, é essencial destacar a banalização do uso da camisinha como óbice nesse imbróglio, porque ocasiona o aumento do número de pessoas com infecções sexualmente transmissíveis. Exemplo disso é o livro “Depois daquela viagem”, da escritora brasileira Valéria Polizzi, na qual a autora relata ter contraído o vírus HIV após ter dispensado o uso do preservativo durante as relações sexuais. Nessa perspectiva, é evidente que o desinteresse por parte das pessoas em transar sem camisinha, em virtude de considerarem desnecessário e banal, corrobora o crescimento do número de jovens que se infectam e, por conseguinte têm suas vidas afetas, dado que a maioria das DST’s não têm cura. Dessa maneira, é substancial mudança desse quadro de banalização para combater riscos futuros.
Ademais, a lacuna educacional é outro fator recorrente, pois gera crescimento da desinformação sobre como se proteger das IST’s. Prova disso é a série “Sex Education”, na qual ocorre um suposto surto de clamídia na escola Moordale, motivado pela falta de conhecimento dos alunos e disposição do colégio em abordar temáticas sobre sexualidade e DST’s. Nesse aspecto, fora da ficção, é visível que o déficit de debates e aulas sobre as IST’s dentro das escolas, local de formação crítica dos cidadãos, acarreta na proliferação de fake news e, de mesmo modo, crescimento do número de pessoas infectadas devido a falta de entendimento sobre o assunto, como mostrado no seriado. Dessa forma, é fundamental intervenção estatal para atenuar essa lacuna existente no sistema educacional.
Depreende-se, portanto, que o aumento das DST’s entre os jovens brasileiros são circunstâncias nocivas carecedoras de solução. Nesse viés, cabe ao Ministério da Educação, órgão de alta relevância para o país, acrescentar a ementa escola brasileira – do ensino fundamental dois ao ensino médio- conteúdos sobre sexualidade e maneiras de evitar as IST’s, que deverão ser ministrados por meio de palestras, debates e aulas dinâmicas, a fim de que todos tenham consciência da importância do uso dos preservativos e tenham conhecimento sobre as doenças. Somente assim, como almejado por Falloppio, poder-se-á diminuir o número de pessoas infectadas pelas DST’s.