O aumento de DSTs entre jovens brasileiros
Enviada em 19/10/2020
A imprensa, inventada por Gutenberg, tinha como objetivo promover o acesso à informação de forma rápida, eficiente e democrática para todos os indivíduos na sociedade. Paradoxalmente, no cenário atual, há o descaso estatal com a distribuição de informações educacionais sobre a saúde sexual entre os jovens no país, pois ocorre a priorização de investimentos para outros setores. Desse modo, a negligência estatal promove a desigualdade social no acesso à informações no país.
Em primeira instância, a desigualdade social presente nas cidades fomenta a falta de conhecimento acerca da saúde sexual na sociedade. Nessa ótica, há o aumento do índice de DST’s em regiões periféricas por falta de informações sobre os métodos contraceptivos, segundo pesquisas apresentadas em 2018 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas. Assim, a desorganização estatal presente nas redes de ensino públicas em áreas periféricas expressa o acesso desigual ao conhecimento acerca da saúde em detrimentos das redes privadas, mais próximas do centro da cidade, que fornecem maiores informações e apoio aos alunos sobre as atividades sexuais com segurança.
Em segunda análise, segundo o ideal “Ubuntu”, que expressa a formação da cidadania por meio da ética e da empatia, a nação brasileira apresenta o viés individualista por promover a exclusão do conhecimento sobre a educação sexual, pois mantém questões religiosas associadas ao imoral sistema patriarcal. Nessa conjuntura, há a formação de preconceitos acerca de temas relacionados à instrução de atividades sexuais com segurança para os jovens, pois ocorre a prevalência de dogmas religiosos inadequados na sociedade, como a presença do costume de averiguar se houve hábitos sexuais da mulher antes do casamento, entre outros. Por conseguinte, a falta de informações sobre o conteúdo sexual entre os jovens promove a intensificação da ocorrência de relações sexuais sem proteção e o consequente aumento de doenças sexualmente transmissíveis no país.
Portanto, é mister a criação de políticas públicas para sanar o avanço das doenças sexualmente transmissíveis entre os jovens no país. Então, o Ministério da Educação, em conjunto com as prefeituras, deve propôr a isenção de impostos às empresas privadas que ajudassem financeiramente na organização de palestras sócio-educativas, apresentadas por professores, sobre o uso de métodos contraceptivos em redes de ensino público para conscientizar os jovens sobre as devidas proteções nas relações sexuais. De acordo com o educador Paulo Freire, a educação é a proposta mais eficiente para gerar transformações sociais, logo, a sociedade deve priorizar o investimento em palestras educacionais para combater o avanço das doenças provenientes das relações sexuais.