O aumento de DSTs entre jovens brasileiros

Enviada em 19/12/2020

Nos anos 1980, a explosão de casos de HIV e a morte de diversas personalidades chocou a população brasileira e promoveu o empenho da sociedade em prol do controle da proliferação das Doenças Sexualmente Transmissíveis. Nos dias atuais, contudo, vê-se um ascendente e preocupante aumento de notificações de contágio no país, principalmente entre jovens. Tal cenário alarmante se dá, mormente, devido à banalização das relações sexuais pela comunidade em questão e agravada, ainda, pela persistência do conservadorismo na instrução de crianças e adolescentes no que tange ao sexo.        Cumpre chamar a atenção, a princípio, ao fato de que a desenfreada ascensão do individualismo e a normalização da fugacidade das interações amorosas contribui em demasia para essa problemática. Em relação a isso, no conceito de “Modernidade Líquida”, Zygmunt Bauman, pensador contemporâneo, exorta que as relações intersubjetivas atuais se pautam pela objetificação dos corpos como um produto do prazer, de forma quantitativa e sem responsabilidade afetiva. Infere-se, diante disso, que numa sociedade regida pela satisfação pessoal a qualquer custo, a preocupação em proteger a si e ao outro - com o uso sistemático de camisinha, por exemplo - se torna mera banalidade e empecilho no alcance desse objetivo. Soma-se a isso, o fato de a juventude não se atentar as consequências que esse descuido acarretará em suas vidas, como a debilidade da saúde e até a morte.

No entanto, tal situação seria menos catastrófica se o diálogo sobre o sexo deixasse de ser um tabu no Brasil. Sob essa ótica, Francis Bacon, filósofo iluminista, defende que “conhecimento é poder”, ou seja, entender sobre as questões da vida é a melhor ferramenta para combater dilemas sociais. Pode-se entender, dessa forma, que a precária - e por vezes omissa - abordagem sexual educativa, tanto em instituições de ensino quanto no seio familiar, acaba por formar crianças e adolescentes ignorantes no que tange às referidas práticas afetivas e, consequentemente, não cientes das possíveis consequências negativas que hábitos sexuais imprudentes possam causar a sua saúde e qualidade de vida, uma vez que algumas enfermidades transmissíveis, como a Síndrome da Imunodeficiência Adquirida, por exemplo, não dispõem de cura definitiva e necessitam de tratamento vitalício.

É patente, portanto, a urgência por aҫões que mitiguem preocupante dilema. Para isso, cabe ao Governo Federal por meio de parcerias com os Ministérios da Educaҫão e da Saúde, tornar obrigatória a educação sexual na grade curricular dos ensinos fundamental e médio em todo o país, disponibilizando profissionais da saúde, como enfermeiros, por exemplo, para lecionar aulas e instruir os alunos sobre as maneiras seguras de portar-se nas relações sexuais em relação ao uso de métodos preventivos contra DSTs. Espera-se, assim, que a epidemia de 1980 não torne a assolar o Brasil.