O aumento de DSTs entre jovens brasileiros
Enviada em 11/11/2020
Na série britânica “Sex Education”, durante a segunda temporada, há um suposto surto de clamídia, uma DST (Doença Sexualmente Transmissível). Nesse sentido, os estudantes se desesperam por não terem informações de como prevenir essa patologia. Fora da ficção, tal cenário é análogo à realidade, visto que, além da omissão da escola e da família acerca da educação sexual, a problemática também está relacionada à banalização do sexo pelas mídias e a falta de infraestrutura dos hospitais e postos de saúde públicos para diagnosticar tais casos. Diante disso, todos esses fatores corroboram para o aumento de DST’s entre os jovens.
Primeiramente, é importante destacar, antes de tudo, o tema “sexo” é considerado um tabu no ambiente familiar e no escolar. Nesse sentido, de acordo com o filósofo Michel Foucault, e sua obra “A Ordem do Discurso”, a família, ao ter receio de falar sobre esse tema, provoca um distanciamento dos filhos, evitando conversas que seriam necessárias nesse período da juventude. Ademais, as escolas adotam uma postura errônea ao considerar que tratar de assuntos sexuais com crianças e adolescentes seria um incentivo para iniciarem, de forma precoce, uma vida sexual. Em síntese, a falta de diálogo nos dois ambientes, contribuem para o aumento de casos de DST’s entre os jovens.
Por outro lado, a carência de infraestrutura nos hospitais e postos de saúde favorecem a dispersão dessas doenças. Dessa maneira, as comunidades de baixa renda não são diagnosticadas ou amparadas por essas instituições, visto que muitas vezes os indivíduos são assintomáticos e transmitem o patógeno sem perceber. À vista disso, consoante a PCAP, 74,8% da população brasileira nunca fez o teste de HIV na vida. Porquanto, seja por falta de infraestrutura para distribuir métodos contraceptivos, como a ‘‘camisinha’’, ou não por não terem recursos para o diagnóstico, a população brasileira fica à mercê dessa problemática. Outrossim, está atrelado à banalização das relações sexuais pela mídia, visto que o conteúdo que é passado para o público adolescente não é de cunho educativo a respeito do prejuízo que a falta de conhecimento pode causar. Nesse contexto, o jovem trivializa o sexo exposto na mídia e, ao se relacionar de forma irresponsável com outra pessoa, contrai infecções.
Portanto, os governos devem administrar maior parte do PIB do Estado para o Ministério da Educação, que poderá potencializar o ensino nas instituições escolares, por meio de economistas que distribuirão o montante para cada município. Assim, as escolas poderão investir em programadores, aliados aos professores, para ampliar as cargas horárias, organizar e planejar aulas sobre educação sexual para cada idade escolar, de forma lúdica. Assim, os jovens irão adquirir essas informações e diminuir a disseminação de DST’s, se afastando da realidade presenciada em ‘‘Sex Education".