O aumento de DSTs entre jovens brasileiros
Enviada em 30/10/2020
O aumento de doenças sexualmente transmissíveis (DSTs) entre jovens está relacionado com a nova era digital e com o passado histórico preconceituoso da população brasileira. Isso porque desde a Idade Média o prazer era associado ao pecado e com isso as relações sociais eram restritas e hierarquizadas. No entanto, com o avanço da tecnologia, os relacionamentos estão cada vez mais efêmeros, enquanto a despreocupação nas relações sexuais se tornam cada vez mais alarmantes. Nesse sentido, faz-se necessário analisar como o avanço tecnológico e o preconceito estão associados com o aumento significativo das DSTs no público juvenil.
Em primeira análise, é necessário destacar o quanto os aplicativos sociais mudaram as formas de se relacionar. Isso porque nos dias de hoje, o celular é uma ótima ferramenta para aqueles que procuram um relacionamento, tendo em vista a quantidade de aplicativos de encontros que ele oferece. No entanto, essa busca excessiva se torna preocupante, pois de acordo com a Organização Mundial da Saúde um único indivíduo pode estar infectado por mais de uma DST ao mesmo tempo ou contrair várias ao longo do ano. Além disso, essas doenças são detectadas apenas por meio de exames de sangue e muitas vezes o individuo pode estar assintomático, por consequência desses fatores, as pessoas continuam tendo relações sem o uso de preservativo e transmitindo a doença para terceiros.
Em segunda análise, é extremamente importante falar a respeito da visão preconceituosa de pessoas que ainda associam doenças sexualmente transmissíveis à homossexualidade. Isso porque a discriminação e o preconceito são fatores que contribuem para o diagnóstico e tratamento tardio dessas doenças. E esse preocupante cenário é exemplificado no filme “Clube de Compras Dallas” que retrata a vida de Ron um homem heterossexual, que contrai AIDS, mas influenciado pelo preconceito, subestima a doença acreditando que ela se restringe apenas a homossexuais. Embora doenças como a AIDS tenham tratamento gratuito, o medo associado a esse tipo de pensamento discriminatório, faz com que cada vez menos jovens se sintam confortáveis em buscar acompanhamento médico e ajuda familiar.
Diante desse contexto, torna-se imprescindível que as doenças sexualmente transmissíveis parem de estar associadas a sexualidade e tenham a atenção direcionada a todo público jovem. Portanto, cabe ao Ministério da Saúde em parceria com psicólogos oferecerem palestras sobre a importância da proteção em relações sexuais e também da necessidade de acompanhamento periódico a um especialista. Isso será feito com ajuda de centros de apoio, com acompanhamento psicológico gratuito. Assim, será possível ter um alcance maior sobre a importância do uso de preservativos e por consequência reduzir o número de jovens brasileiros infectados.